Cara do governo

Após investigação, Polícia do Senado indicia assessor de Bolsonaro por gesto de conotação racista

Ministério Público Federal deve decidir se denunciará Filipe Martins por gesto dos supremacistas brancos norte-americanos, feito no Senado

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Gesto racista feito no Senado por Filipe Martins, assessor de Bolsonaro, pode render prisão e multa

São Paulo – A Polícia do Senado conclui as investigações e indiciou Filipe Martins, assessor internacional do presidente Jair Bolsonaro, por gesto de conotação racista feito no plenário do Senado Federal. O crime é previsto em artigo da lei 7.716. O relatório da Polícia do Senado foi enviado ao Ministério Público Federal (MPF) que deve decidir se denuncia Martins ou se opina pelo arquivamento.

O sinal, unindo as pontas dos dedos polegar e indicador, é ligado ao movimento supremacista branco, de extrema-direita. Muito difundido, principalmente nos EUA, o gesto é usado pelo grupo que protagonizou a invasão do Capitólio em janeiro deste ano, após a derrota de Donald Trump.

Filipe Martins foi filmado em 24 de março, quando estava no Senado acompanhando o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pouco antes da destituição do chanceler brasileiro. Em audiência, o ex-ministro de Bolsonaro dava explicações aos senadores sobre a má atuação do Itamaraty na compra de vacinas contra covid-19. O assessor de Bolsonaro, então, foi filmado pelas câmeras da TV Senado fazendo o gesto racista enquanto estava atrás do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que discursava.

Prisão e multa

Segundo o Painel da Folha de S.Paulo, Martins foi indiciado com base no artigo 20 da lei 7.716/1989, que fala em pena de reclusão de um a três anos e multa para quem “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. De acordo com a reportagem, “o inciso 2º do artigo 20 diz que a pena de reclusão passa a ser de dois a cinco anos caso os crimes sejam cometidos por intermédio de meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza”.

Em suas redes sociais, o assessor de Bolsonaro negou o gesto racista e afirmou estar ajeitando a lapela do terno. Os três dedos esticados, relata o Painel, “simbolizam a letra “w”, que seria uma referência à palavra em inglês “white” (branco). O círculo formado representa a letra “p”, para a palavra “power” (poder)”. Ainda segundo a reportagem, “pesquisadores que estudam as simbologias da extrema direita alegam que o gesto vem sendo utilizado como uma mensagem codificada com o intuito de que membros de grupos racistas possam identificar uns aos outros”. No Brasil, o gesto é associado a um xingamento.