Incitação à violência?

Assessor de Bolsonaro faz gesto ligado a movimento supremacista durante audiência no Senado

Sinal feito por Filipe Martins, em audiência no Senado, é o mesmo usado por movimentos supremacistas brancos de extrema-direita, invasores do Capitólio após a derrota de Donald Trump

Reprodução
Gesto racista feito no Senado por Filipe Martins, assessor de Bolsonaro, pode render prisão e multa

São Paulo – Um sinal de ok, unindo as pontas dos dedos polegar e indicador, resultou em mais um problema para o cada vez mais combalido governo de Jair Bolsonaro. O assessor internacional do presidente, Filipe Martins, durante audiência na tarde desta quarta-feira, no Senado, aproveitou a exposição às câmeras para fazer o gesto ligado ao movimento supremacista branco, de extrema-direita. Muito difundido, principalmente nos EUA, o sinal é usado pelo grupo que protagonizou a invasão do Capitólio em janeiro deste ano, após a derrota de Donald Trump.

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Filipe Martins estava no Senado acompanhando o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Em audiência, o ministro de Bolsonaro dava explicações aos senadores sobre a atuação do Itamaraty na compra de vacinas contra covid-19.

Martins foi filmado pelas câmeras da TV Senado fazendo o gesto supremacista enquanto estava atrás do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que discursava.

O ex-ministro da Relações Exteriores, Celso Amorim, não se surpreendeu com o ocorrido. “Não vi. Apenas li que fez um gesto obsceno. Lamentável, mas não surpreendente na atual política externa.”

Investigado e autuado

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, decidiu instaurar procedimento de investigação para apurar o fato. A polícia do Senado deve ouvir Martins. “Uma fonte do Palácio do Planalto afirma que Pacheco está exigindo a demissão imediata do assessor”, informa a coluna da jornalista Mônica Bergamo.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) pediu que Filipe Martins fosse retirado das dependências do Senado e autuado pela Polícia Legislativa. “Isso é inaceitável, basta o desrespeito que esse governo está tendo com mais de 300 mil mortos a essa altura”, disse o senador. “Não aceitamos que um capacho do presidente da República venha ao Senado durante a fala do presidente do Senado nos desrespeitar, afirmou, exaltado. “Não existem mais limites a serem ultrapassados.”

Nas redes sociais, Martins foi ofensivo ao se defender. “Um aviso aos palhaços que desejam emplacar a tese de que eu, um judeu, sou simpático ao “supremacismo branco” porque em suas mentes doentias enxergaram um gesto autoritário numa imagem que me mostra ajeitando a lapela do meu terno: serão processados e responsabilizados; um a um.”


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