VAZA JATO

Novas conversas divulgadas evidenciam conluio entre procuradores e Sergio Moro

Mensagens mostram ex-juiz comemorando denúncia contra Lula e procuradores da Lava Jato falando em pedir orientações ao magistrado

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Ao todo, são 50 páginas de conversas suspeitas que mostram um relacionamento parcial entre o juiz e a acusação

São Paulo – O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a retirada do sigilo de parte das conversas entre o ex-juiz federal Sergio Moro e procuradores da Força Tarefa Lava Jato, entre eles, o coordenador Deltan Dallagnol. As mensagens são parte da operação Spoofing, que investiga o rastreamento de diálogos de celulares de autoridades.

O conteúdo divulgado é inédito e foi incluído no processo de suspeição de Moro pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve acesso ao material. Ao todo, são 50 páginas de conversas suspeitas que mostram o relacionamento indevido entre o juiz e a acusação.

Em uma mensagem enviada no dia 29 de junho de 2016, Deltan afirma que Sergio Moro contribuiu para a acusação e ainda trata o ex-presidente de maneira jocosa. “O material que o Moro nos contou é ótimo. Se for verdade, é a pá de cal no 9 (apelido pejorativo dado por ele a Lula) e o Márcio merece uma medalha”, escreveu.

Em outra conversa, em dezembro do mesmo ano, Deltan Dallagnol avisa que a denúncia do Lula seria “protocolada em breve”. Horas depois, Moro comemora a acusação: “um bom dia afinal”.

Em diversos momentos, os procuradores mostram que as ações da Força Tarefa da Lava Jato são orientadas por Sergio Moro – chamado pelo codinome de “Russo”. “Lembrando que tem que conversar com o russo. Não basta pedir”, escreveu o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Roberson Pozzobon, ao falar da prisão de Armando Tripodi, ex-chefe de gabinete da Presidência da Petrobras.

Batuta de Moro

Deltan também diz, em várias oportunidades, que se encontrava com Sergio Moro para conversar sobre os rumos da operação Lava Jato. Em uma das conversas afirmou que se reuniu com o ex-juiz “cumprindo uma rotina de manter o Russo informado”. O ex-procurador ainda diz que Moro só deixaria o cargo caso “já tenhamos processado o 9 (Lula) e o (Eduardo) Cunha”.

O ex-presidente foi condenado, no dia 12 de julho de 2017, a 9 anos e 6 meses de prisão pelo juiz Sergio Moro no caso do tríplex do Guarujá. Entretanto, as conversas entre procuradores mostram que a condenação já estaria definida no dia 1º daquele mês. “A sentença de Moro contra Lula (está) prestes a sair”, alerta Deltan.

Um dia depois da decisão sair, Deltan pede que o acordo entre Lava Jato e Léo Pinheiro, executivo da OAS, esperasse mais alguns dias. “Caros, acordo do OAS, é um ponto pensar no timing do acordo com o Léo Pinheiro. Não pode parecer um prêmio pela condenação do Lula”, pediu Dallagnol aos colegas.

Na semana passada, procuradores da República, entre eles o ex-coordenador da Operação Lava Jato em Curitiba Deltan Dallagnol, pediram que o ministro Lewandowski reconsiderasse a decisão de deixar Lula acessar as conversas.

Confira a íntegra das conversas.