Pressão

Centrais: 2021 vem com demissões, inflação e indefinição sobre vacina. ‘Não podemos aceitar’

Dirigente lembra que a Ford, que anunciou fechamento de fábricas, foi beneficiada por incentivos fiscais e deve ser cobrada pelos governos

Agência Brasil
Dirigentes querem pressionar o governo para retomar programas de proteção social

São Paulo – No mesmo dia em que o Banco do Brasil (BB) anunciou planos de demitir e a Ford comunicou sua saída do Brasil, representantes das centrais sindicais estiveram com o candidato governista à presidência da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), reivindicando o retorno do auxílio emergencial, entre outras medidas. “Alta da inflação, alta do desemprego, empresas fechando e trabalhadores sem nenhum tipo de proteção. O grande problema pode ser uma crise social incontrolável. Quem passou pela década de 80 sabe o que aconteceu”, afirma o presidente da Força Sindical, Miguel Torres.

No caso da Ford, por exemplo, ele lembra que a empresa, ao longo dos anos, foi “beneficiada por grandes incentivos fiscais”. Ele espera que o governo federal e os governos estaduais (de São Paulo, Bahia e Ceará) “intervenham para cobrar da Ford o compromisso produtivo com o país”. Os demitidos diretos devem chegar a 5 mil, mas o sindicalista calcula em pelo menos 12 mil os trabalhadores atingidos pela medida.

Governo sem proposta

Miguel faz menção ainda aos cortes no BB e às sinalizações de aumento no preço do gás de cozinha. E criticou a indefinição sobre um plano nacional de vacinação contra a covid-19. Isso ao mesmo tempo em que termina o auxílio emergencial e o programa de proteção ao emprego e à renda, sem que o governo apresente nenhuma medida. Na reunião das centrais com Arthur Lira, o candidato, segundo ele, se disse favorável ao auxílio ou alguma alternativa nesse sentido.

“Ele é de um estado pobre e sabe o quanto o auxílio emergencial foi importante”, disse o dirigente. Um empecilho é a indefinição quanto ao orçamento deste ano, que ainda não foi votado. “Eles não estenderam o orçamento de guerra. Vai ter de ter pressão mesmo. Não podemos aceitar.” O governo, acrescentou, precisa abrir diálogo, mas se mostra perdido. “Para governar, você tem de ter um pacto com a sociedade.”

Na quinta, as centrais serão recebidas pelo candidato Baleia Rossi (MDB-SP), apoiado por partidos de oposição na Câmara. A pauta das entidades inclui ainda volta do programa de proteção ao trabalho e à renda e um plano de vacinação, imediato, para toda a população.