Custo de vida

Com muitos ‘vilões’ em 2020, cesta básica teve aumentos generalizados

Arroz, feijão, carne, tomate, batata, pão, leite, tudo subiu de preço no ano passado. Dieese calculou em R$ 5.304,90 o salário mínimo necessário

Reprodução/Montagem RBA
Carne, batata, arroz e pão foram alguns dos vários itens em alta em 2020. Alguns produtos subiram mais de 100%, dependendo da região

São Paulo – Os preços da cesta básica subiram em todas as capitais pesquisadas em 2020, confirmando um ano de inflação em alta, principalmente nos alimentos. Mas os itens da cesta aumentaram muito mais do que a inflação. De acordo com o Dieese, responsável pela pesquisa, as principais altas foram apuradas em Salvador (32,89%) e Aracaju (28,75%). A menor foi a de Curitiba (17,76%). Em São Paulo, onde o aumento chegou a 24,67%, a cesta atingiu o maior preço: R$ 631,46.

Com base na cesta mais cara, o Dieese estimou em R$ 5.304,90 o salário mínimo necessário para as despesas básicas de um trabalhador e sua família. O valor correspondia a 5,08 vezes o mínimo oficial (R$ 1.045 até dezembro). O tempo médio necessário para adquirir os produtos subiu para 115 horas e 8 minutos. E aquele trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, no mês passado, 56,57% de sua renda.

Alta generalizada

Não houve um “vilão” responsável pela alta. A pesquisa mostra que vários itens subiram em todo o país ao longo do ano. O Dieese aponta que em 2020, a maior parte dos produtos da cesta básica apresentou elevação de preços em todas as capitais, “causada, principalmente, pela desvalorização cambial, pelo alto volume das exportações e por fatores climáticos, em decorrência de longos períodos de estiagem ou de chuvas intensas”.

Nessa lista incluem-se carne bovina de primeira, leite, manteiga, óleo de soja, pão francês, café, batata, arroz agulhinha, tomate, açúcar, farinha de trigo. Com variações por região ou cidade.

(Arte RBA)

A carne, por exemplo, subiu 8,54% no Rio de Janeiro e 24,84% em São Paulo. E foi a 32,01% em Salvador. A alta do arroz variou de 61,41% (São Paulo) a 90,78% (Porto Alegre). Já o feijão foi de 12,39% (Goiânia) a variações acima de 60% nas três capitais da região Sul (61,48% em Curitiba, 62,79% em Florianópolis e 65,83% em Porto Alegre).

O leite, por sua vez, foi de 11,88% (Brasília) a 38% (Vitória). E o sempre lembrado tomate, de 5,79% (Vitória) a 102,56% (Salvador).

São Paulo

Na média de 2020, a cesta básica paulistana custou R$ 558,33, aumento de 13,86% em relação ao ano anterior. Bem acima da inflação, que deverá ficar na casa de 5% – os números do ano para IPCA e INPC serão divulgados nesta terça (12) pelo IBGE.

A jornada média para aquisição dos produtos básicos chegou a 116 horas e 20 minutos, 8 horas e 11 minutos a mais do que em 2019. E o comprometimento do salário mínimo em relação à cesta cresceu de 49,13% para 53,45%.

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Edição: Paulo Donizetti de Souza