Sem noção

Bolsonaro vai a ato contra democracia e diz que não aceita interferência do STF

“Chega de interferência, não vamos admitir mais interferência. Acabou a paciência”, disse o presidente. Jornalistas foram agredidos por apoiadores do governo

Reprodução Twitter
Bolsonaro levou a filha de 9 anos para aglomeração de apoiadores neste domingo em Brasília

São Paulo – Em meio à pandemia do novo coronavírus, Jair Bolsonaro participou mais uma vez de um ato promovido por seus apoiadores, em Brasília, para atacar o Supremo Tribunal Federal e o Congresso. Desta vez, o presidente esteve acompanhado da filha Laura, de 9 anos, e disse que não vai mais admitir “interferência” e que tem o povo e as Forças Armadas ao seu lado. A declaração de Bolsonaro fez referência ao ministro do STF Alexandre de Moraes, que suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal.

“Queremos a independência verdadeira, não apenas uma letra da Constituição, não queremos isso. Chega de interferência, não vamos admitir mais interferência, vamos levar o Brasil pra frente. Acabou a paciência”, disse Bolsonaro em frente ao Palácio do Planalto em vídeos divulgados por bolsonaristas nas redes sociais.

Na sequência, ele declara ainda: “Tenho certeza de uma coisa, nós temos um povo emocionado, nós temos as Forças Armadas ao lado do povo pela lei, pela ordem, pela democracia, pela liberdade e o que é mais importante: temos Deus conosco”.

Bolsonaro também voltou a atacar governadores que impõe medidas restritivas na tentativa de conter o avanço da epidemia. “O Brasil como um todo reclama volta ao trabalho. Essa destruição de empregos irresponsável por parte de alguns governadores é inadmissível. O preço vai ser muito alto ali na frente, fome, desemprego, miséria. Isso não é bom e o país de forma altiva vai enfrentar os seus problemas. Sabemos do efeito do vírus, mas infelizmente muitos serão infectados. É uma realidade e teremos que enfrentar. Não podemos fazer com que o efeito colateral seja mais danoso que o próprio vírus, há 50 dias venho falando isso”, disse Bolsonaro.

Agressão a jornalistas

O Estadão noticiou que profissionais do jornal que faziam a cobertura da manifestação foram agredidos por apoiadores de Bolsonaro. O fotógrafo Dida Sampaio e motorista Marcos Pereira receberam chutes, murros e uma rasteira e precisaram deixar o local escoltados pela Polícia Militar. Já os repórteres Júlia Lindner e André Borges foram insultados pelos manifestantes. São frequentes os episódios em que o presidente incita seus apoiadores contra a imprensa, especialmente após a publicação de reportagens que trazem a público episódios que desagradam Bolsonaro ou ao ser questionado sobre episódios a respeito dos quais não quer se manifestar.

Com informações do Sul21