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Filho de sobrevivente do Holocausto tem casa pichada com dizeres antissemitas

Caso aconteceu na Itália às vésperas do Dia Internacional da Lembrança do Holocausto. "Emerge o ódio colossal", afirma vítima

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Casa de Aldo Rolfi foi pichada com uma estrela de Davi, símbolo do judaísmo, com a inscrição "Juden Hier", que significa "judeu aqui"

São Paulo – A casa de um filho de uma sobrevivente do Holocausto amanheceu hoje (24) com pichações antissemitas na Itália. O país vive um momento de ascensão da extrema-direita, acompanhado por um amplo movimento de resistência a ideias fascistas que rondam a política.

Xenofobia, nacionalismo exacerbado, antissemitismo e outras ideias nazifascistas passaram a fazer parte do noticiário em diferentes partes do mundo. No Brasil, na última semana, um membro do governo de extrema-direita do presidente, Jair Bolsonaro (sem partido), fez um vídeo parafraseando o ministro da Comunicação de Adolf Hitler, Joseph Goebbels.

Na Itália, a porta da casa de Aldo Rolfi foi pichada com uma estrela de Davi, símbolo do judaísmo, com a inscrição “Juden Hier”, que significa “judeu aqui”. Durante o período nazista na Alemanha, tal frase foi pintada nas fachadas de casas de judeus que, marcados, eram então perseguidos pelo regime genocida.

Aldo é filho da escritora Lidia Rolfi (1925-1996), que participou da luta de resistência contra o fascismo no país. Ela foi presa em 1944 e enviada para um campo de concentração em Ravensbruk, na Alemanha. Lidia sobreviveu e fez relatos sobre os horrores vividos pelos perseguidos pelo nazifascismo de Hitler e Mussolini.

O ato de ódio acontece às vésperas do Dia Internacional da Lembrança do Holocausto, lembrado no dia 27 deste mês. Uma semana antes do ataque, Aldo escreveu uma matéria para um jornal local denunciando o recrudescimento do antissemitismo. “Emerge o ódio colossal e palpável em todos os campos”, disse.

O líder da extrema-direita italiana, o “Bolsonaro do país”, é Matteo Salvini. Mesmo com derrota em processo eleitoral no ano passado, o receio ainda ronda o país, o que vem motivando manifestações frequentes do movimento conhecido como “sanrdinhas”, que tenta alertar a população para os perigos de um governo populista radical.