Articulação

Brasil e mais 16 países apelam pela libertação de reféns do Hamas

Grupo de países que também inclui Estados Unidos, França e Reino Unido diz que acordo sobre a libertação dos reféns permitiria cessar-fogo imediato, facilitando o envio de ajuda humanitária à Faixa de Gaza

Yossipik/CC
Yossipik/CC
Entre os reféns mantidos pelo Hamas, há nacionais dos 17 países que assinam o documento, incluindo o Brasil

São Paulo – O Brasil assinou junto a outros 16 países, como Estados Unidos, França, Alemanha e Reino Unido uma nota conjunta apelando pela “libertação imediata” de todos os reféns do Hamas. O grupo aponta que, entre as pessoas que o grupo palestino sequestrou em 7 de outubro, “estão os nossos próprios cidadãos”. E que um acordo sobre a libertação dos reféns permitiria um cessar-fogo “imediato e prolongado” na Faixa de Gaza.

Em café com jornalistas nesta terça-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que assinou o documento, após negociação com os Estados Unidos e os demais países. Dentre os signatários, também estão Argentina, Áustria, Bulgária, Canadá, Dinamarca, Espanha, Hungria, Polônia, Portugal, Romênia, Sérvia e Tailândia.

Além dos reféns que estão em posse do Hamas há mais de 200 dias, os países afirmam que o destino da população de Gaza, que sofre com constantes bombardeios e incursões das forças militares israelenses, também é motivo de “preocupação internacional”.

Salientamos que o acordo sobre a mesa para a libertação dos reféns permitiria um cessar-fogo imediato e prolongado em Gaza, o que facilitaria o envio de assistência humanitária adicional necessária a toda a Faixa de Gaza e conduziria ao fim crível das hostilidades. Os habitantes de Gaza poderiam regressar a suas casas e a suas terras, com preparativos prévios para garantir abrigo e provisões humanitárias.

Nesse sentido, os países reafirmam o apoio às negociações em curso para que seus nacionais “possam voltar para casa”. “Reiteramos o nosso apelo ao Hamas para que liberte os reféns e nos deixe pôr fim a esta crise, para que, coletivamente, possamos concentrar os nossos esforços em trazer paz e estabilidade à região.”

Posição brasileira

Na semana passada, durante reunião, o Conselho de Segurança da ONU voltou a condenar os “ataques terroristas” do Hamas em 7 de outubro. Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que, desde então, o mundo assiste “à destruição sem precedentes de quase toda a região de Gaza em um período muito curto de tempo”.

O chanceler brasileiro destacou que os ataques israelenses atingiram “de escolas a hospitais, de mesquitas e igrejas a cemitérios, de abrigos a comboios de ajuda”. Citou o “número desproporcional de vítimas civis em Gaza“, que hoje totaliza mais de 33.000 pessoas, incluindo 14.500 crianças. E destacou que o restante da população palestina na região sofre com nível de insegurança alimentar nunca antes visto. Além do deslocamento forçado de 2,2 milhões de pessoas.

Ao mesmo tempo, o Brasil fez uma defesa enfática do reconhecimento da Palestina como um Estado “plenamente soberano e independente”. Nesse sentido, o país reiterou a defesa da “solução de dois Estados” como caminho para a construção da paz entre israelenses e palestinos. Assim, o reconhecimento do Estado palestino não é apenas um “imperativo moral”, mas um “pré-requesito estratégico” para a estabilidade da região.

Os Estados Unidos, no entanto, acabaram vetando a resolução para a admissão da Palestina como membro pleno da ONU. A proposta, capitaneada pela Argélia, teve o apoio de 12 países, com duas abstenções.



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