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OEA abdicou do seu papel de neutralidade em favor de Guaidó, diz Paulo Pimenta

O embaixador da Venezuela nas Nações Unidas declarou na tarde de hoje que “o governo constitucional do presidente Maduro, com o apoio de todas as instituições democráticas do Estado', derrotou o golpe
Publicado por Eduardo Maretti, da RBA
19:57
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Venezuela

País viveu dia tenso nesta terça-feira com tentativa de golpe que, segundo o governo, foi derrotada

São Paulo – O apoio explícito do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o uruguaio Luis Almagro, à tentativa de golpe contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deixa evidente mais uma vez que a função da entidade, que seria empreender esforços por soluções pacíficas e democráticas para o continente, está esquecida ou em hibernação.

“Saudamos a adesão dos militares à Constituição e ao presidente encarregado (Juan Guaidó) da #Venezuela. O apoio total ao processo de transição democrática é necessário de maneira pacífica”, escreveu o dirigente nas redes sociais.

“Ele Jamais poderia ter agido como agiu. A organização já vinha com essa postura. Com Almagro, a OEA deixou de ter uma postura de neutralidade há muito tempo”, diz o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS). “A OEA abdicou do seu papel de neutralidade em prol de Guiadó.”

Em fevereiro, quando foi deflagrada a suposta “ajuda humanitária” à Venezuela, Almagro esforçou-se por legitimar o autoproclamado presidente Juan Guaidó afirmando que ele representava a “oportunidade de uma solução pacífica” para o país.

Os esforços de Almagro parecem ter sido em vão. Diante do aparente fracasso da tentativa de derrubar o governo de Nicolás Maduro, líderes da oposição estão procurando fugir da situação que eles próprios criaram. Leopoldo López, que cumpria prisão domiciliar, da qual escapou para ajudar a empreitada de Guaidó, se refugiou na embaixada do Chile e o próprio Guaidó “estaria tentando asilo em uma embaixada europeia”, segundo o blog de Diogo Schelp.

A OEA – em seu site – define seus objetivos em quatro pilares: democracia, direitos humanos, segurança e desenvolvimento, que “se apoiam mutuamente e estão transversalmente interligados por meio de uma estrutura que inclui diálogo político, inclusividade, cooperação, instrumentos jurídicos”. A entidade foi criada “para alcançar nos Estados membros uma ordem de paz e de justiça”.

Nas Nações Unidas, o embaixador da Venezuela declarou na tarde de hoje que “o governo constitucional do presidente Maduro, com o apoio de todas as instituições democráticas do Estado e da sociedade venezuelana em geral, mais uma vez derrotou uma tentativa das potências estrangeiras de causar confusão e desordem no território nacional”, reafirmando o que havia dito mais cedo o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López.

Na tribuna da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (30), a deputada federal e presidenta Nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), disse que Guaidó é “um presidente autoproclamado que não passou pelas urnas e não teve um voto”.

“Queremos paz na nossa fronteira. A Venezuela só vai resolver os problemas que tem com sua fronteira com um grande acordo democrático, e não com a intervenção daqueles que são lacaios dos americanos. Espero que o Brasil não entre numa aventura trazendo dor e injustiça pro seu povo”, afirmou.

Embargo

A Venezuela sofre um embargo econômico liderado pelos Estados Unidos que provocou, entre 2013 e 2017, prejuízos de US$ 350 bilhões, segundo estudo do Centro Estratégico Latino-Americano de Geopolítica (Celag).

Segundo a entidade, as conseqüências da suspensão do financiamento internacional – tanto no fornecimento de bens e serviços como na geração de empregos e migrações – foram “devastadoras” para a Venezuela.