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Deputados acusam interferência brasileira na Venezuela por defensores da ditadura

Eduardo Bolsonaro na fronteira mostra participação em tentativa de golpe, diz Paulo Teixeira. Para Ivan Valente, presidente brasileiro pede democracia na Venezuela mas 'aqui estimula genocídio'
Publicado por Eduardo Maretti, da RBA
16:40
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Reprodução/Youtube
Caracas - La Carlota

Blindados protegem base aérea de La Carlota, em Caracas, após tentativa de golpe na Venezuela

São Paulo – A presença do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) na fronteira do Brasil com a Venezuela é “uma interferência indevida em assuntos externos”, afirma o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). “Acho que ele e o Ernesto Araújo (chanceler brasileiro) estão participando fortemente dessa tentativa de golpe”, diz o petista. “Pelas informações transmitidas pelos meios de comunicação, o Exército venezuelano já conteve essa tentativa de golpe.”

Pela manhã, o autoproclamado presidente venezuelano, Juan Guaidó, anunciou que sairia à ruas do país nesta terça-feira (30) para dar início à “fase final” da chamada Operação Liberdade. 

Bolsonaro está na fronteira entre os dois países, na cidade de Pacaraima, como membro da Comissão Externa da Venezuela, criada no início de abril na Câmara dos Deputados. “Vamos acompanhar e ver até onde ele está se envolvendo. Ele está no Brasil, mas na fronteira, e bem articulado com Guaidó”, avalia Teixeira.

No Twitter, o deputado Ivan Valente (Psol-SP) respondeu às manifestações de solidariedade do presidente Jair Bolsonaro aos aliados de Guaidó. “Bolsonaro defensor da ditadura militar e do crime de tortura pede democracia na Venezuela. Enquanto isto, aqui estimula o genocídio de pobres na cidade e no campo com licença para matar dado a policiais e ruralistas. Ataca o conhecimento e censura e destrói universidades. Hipócrita e cínico”, escreveu o parlamentar do Psol.

A correspondente da Rede Telesur na Venezuela, Madelein García, desmentiu informações de que a base aérea de La Carlota, em Caracas, tenha sido tomada, apesar dos “ataques de setores violentos da oposição venezuelana”.

“Temos nossa repórter @madeleintlSUR na base aérea La Carlota em Caracas. La Carlota NÃO foi tomada pelos golpistas”, escreveu a presidenta da Telesur, Patricia Villegas Marin.

O presidente Nicolás Maduro conclamou a população à “máxima mobilização popular para assegurar a vitória da paz”.

Também pelo Twitter, Eduardo Bolsonaro reproduziu post de Guaidó, segundo o qual soldados da Força Armada Nacional “tomaram a decisão correta, contam com apoio do povo”.

O governo brasileiro classificou a ação violenta dos opositores de Maduro de “transição democrática”, inclusive com incitação a forças militares a aderir à conspiração para depor Maduro. 

O filho do presidente da República desejou “suerte” aos insurgentes. E o próprio Jair Bolsonaro comentou na rede social que “o Brasil acompanha com bastante atenção a situação na Venezuela e reafirma o seu apoio na transição democrática que se processa no país vizinho”.

Já o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Ernesto Araújo, apesar da tentativa de golpe, afirmou que o Brasil é “um país que tem compromisso com a democracia e a liberdade”. Por isso, acrescentou, “o Brasil apoia o processo de transição democrática” no país vizinho.