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Com promessa de diálogo, Marco Antonio Zago é anunciado novo reitor da USP

Escolhido como principal candidato pela comunidade uspiana e pela Assembleia Universitária, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão e ex-pró-reitor de Pesquisa prega fim da repressão
Publicado por Redação RBA
18:13
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Ernani Coimbra/USP
zago

Zago fez parte da administração do atual reitor João Grandino Rodas como pró-reitor de Pesquisa

São Paulo – Marco Antonio Zago será o novo reitor da USP. O candidato, ex-pró-reitor de Pesquisa, foi escolhido hoje (26) pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, (PSDB) para gerir a universidade nos próximos quatro anos. Ele toma posse em 25 de janeiro de 2014.

Mais votado pela Assembleia Universitária, com 49% das indicações, e também pela comunidade uspiana em consulta interna, com 48,3% dos votos, Zago, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, era o primeiro colocado da lista tríplice enviada a Alckmin. Em sua campanha, ele e o novo vice-reitor, Vahan Agopyan, ex-pró-reitor de Pós Graduação, prometeram a retomada do diálogo “responsável e consequente como ponto de partida para a formação da cidadania”.

Em e-mail distribuído a estudantes, funcionários e docentes da USP às vésperas da consulta interna, Zago e Vahan garantiram que o programa da chapa Todos pela USP irá priorizar o ensino na graduação. “Isso inclui flexibilizar e rever currículos, modernizar métodos pedagógicos, valorizar de fato a dedicação dos docentes ao ensino de graduação, reduzir a evasão, fortalecer o apoio social aos estudantes”, escreveu o professor.

A gestão do atual reitor, João Grandino Rodas, ex-diretor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, foi marcada pela intransigência e por duas reintegrações de posse – uma delas violenta, com a prisão de 72 alunos – do prédio da reitoria, ocupado nas greves de 2011 e 2013. A violência, somada ao convênio que levou a Polícia Militar a atuar constantemente na Cidade Universitária, transformou-se na questão central do mandato de Rodas – e do debate sobre a futura administração.

No e-mail divulgado durante a campanha, Zago garantiu que não irá recorrer à força física. “Professores, servidores, estudantes, reitoria vamos, juntos, reconstruir as relações civilizadas, que implicam diálogo, confronto de ideias, discordância, pressões legítimas, mas jamais discórdia e recurso à força física; respeito àqueles que discordam de nós, capacidade de reformular nossas propostas, de ceder, de convencer”, disse.

O mandato de Rodas, iniciado em 2010, durará até 25 de janeiro de 2014. Tanto Zago quanto Agopyan exerceram os cargos de pró-reitor de Pesquisa e de pró-reitor Pós-Graduação na administração de Rodas.

Democracia na USP?

Em outubro deste ano, o Conselho Universitário (CO) da USP se reuniu para debater a proposta enviada por Rodas em julho sobre processos eleitorais universitários mais democráticos. Estudantes, funcionários e professores realizaram um ato em frente ao CO reivindicando eleições diretas e paritárias para reitor, além do fim da lista tríplice. O Conselho, apesar disso, decidiu por um processo eleitoral indireto, com colégio eleitoral correspondente a 1,7% da comunidade USP, e com manutenção da escolha do candidato pelo governador.

A medida desencadeou uma greve dos estudantes que durou cerca de um mês e meio. A consulta à comunidade USP foi parte das deliberações do Conselho, tomadas em negociação com os alunos, para tornar a escolha do novo reitor menos autoritária.

Realizada no dia 10 deste mês, fora do período letivo, a consulta reuniu 13.826 votantes, o que representa apenas 14% dos 100.734 possíveis eleitores da USP. Alunos, funcionários e professores totalizaram 6.678 votos (48,3%) para chapa de Zago e Agopyan, que foi a mais votada dentre quatro opções.

Posteriormente, no dia 19 de dezembro, a Assembleia Universitária, composta por 2.143 integrantes – a maioria professores titulares – elegeu a chapa Todos pela USP como a principal candidata à reitoria. Zago recebeu 1.206 votos, o que corresponde a 49% do colegiado, e encabeçou a lista tríplice enviada à Alckmin com as também candidaturas do ex-vice-reitor Hélio Nogueira da Cruz e do ex-superintendente de relações internacionais Wanderley Messias, em segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Alckmin não precisaria escolher o candidato mais votado, como fez com Zago. Geralmente, o nome que lidera a lista tríplice é o escolhido pelo governador. Mas o atual reitor, João Grandino Rodas, responsável por uma gestão truculenta e autoritária, foi eleito por José Serra (PSDB) sendo o segundo colocado.