Na sala de aula

IA não pode substituir profissionais da educação, dizem especialistas

O governo Tarcísio já havia feito algo similar ao abrir mão dos livros do PNLD e substituído o conteúdo por slides com erros gramaticais e de conteúdo

Secretaria de Educação de São Paulo
Secretaria de Educação de São Paulo
Apesar dos ares de sintonia com os tempos atuais, a IA não é adequada para a elaboração de currículos

Por Marcelo Menna Barreto – O uso da ferramenta de inteligência artificial (IA), ChatGPT, na produção de aulas digitais para alunos dos anos finais da rede estadual de São Paulo gera críticas de especialistas em educação em todo o país. Antes que a moda pegue, parlamentares da oposição acionaram o Ministério Público.

A nova polêmica protagonizada pelo secretário de Educação do estado de São Paulo, Renato Feder, acionista de uma empresa de tecnologia que tem contratos com a própria pasta que comanda, seguia sem maiores alardes até ter sido revelada na quarta-feira em matéria da Folha de São Paulo.

Apesar dos ares de sintonia com os tempos atuais, a IA não é adequada para a elaboração de currículos, mesmo o governo de São Paulo salientando que tudo o que for produzido será revisado por professores especialistas, segundo o mestre em educação e inovação pela Universidade de Lisboa, Bernardo Soares.

Autor de materiais didáticos, ele destaca que não é uma questão de preconceito com a IA, mas entender de fato qual a finalidade da ferramenta que pode “auxiliar em trabalhos mais objetivos”.

“A IA erra e erra muito. Experimente pedir uma lista de livros sobre um tema para o ChatGPT e, depois, pesquise esses títulos no Google. É muito provável que pelo menos um livro da lista simplesmente não exista. A questão é: quem vai verificar isso? ‘Ah, os docentes vão revisar o conteúdo’. Será mesmo? Lembremos que, no ano passado, o governo Tarcísio já havia feito algo similar ao abrir mão dos livros do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) e substituído o conteúdo por slides que vieram cheios de erros gramaticais e, pior, de conteúdo”, lembra Soares.

Na mesma linha do mestre em Educação, o pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Proprietas da Universidade Federal Fluminense (UFF) Walter Lippold entende que o ChatGPT pode comprometer a elaboração dos cursos porque precariza o processo de criação de disciplinas.

Ele ressalta que o professor tem que ter que ter conhecimentos bibliográficos e, “nas versões gratuitas (do ChatGPT) há criação ou erros ao produzir bibliografias”, conclui ao apontar que o perigo de desemprego tecnológico também se eleva.


Texto originalmente publicado no portal Extra Classe, do Sinpro-RS



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