Alexandre Padilha

Lista de irresponsabilidades de Bolsonaro na saúde não tem fim

Ao negar a ciência, Bolsonaro semeia variantes do vírus e leva ao colapso o sistema de saúde. E perpetua a crise sanitária com discurso mentiroso e genocida

Marco Santos/AG Pará
Em meio a tanta dor e tristeza, profissionais de saúde se dedicam incansavelmente na missão de salvar vidas

Pelo segundo ano consecutivo, o Dia Mundial da Saúde, celebrado neste 7 de abril, simboliza a luta contra a maior crise sanitária vivida pelo mundo no século 21 e a maior tragédia humana registrada em nosso país. Com recordes diários de óbitos, vivemos o março mais letal da pandemia e é muito provável que o cenário de abril seja ainda pior. A covid-19 no Brasil tem tirado um terço das vidas em comparação com o resto do mundo. Este Dia Mundial da Saúde também representa a resistência dos profissionais que, em meio a tanta dor e tristeza, se dedicam incansavelmente há um ano na missão de salvar vidas e aliviar o sofrimento de milhões de famílias. O esforço desses trabalhadores deve ser reconhecido não apenas neste dia, mas repetidamente. Assim como o nosso Sistema Único de Saúde (SUS). Se o cenário da pandemia é devastador, é culpa de Bolsonaro.


Editorial do The Guardian e a culpa de Bolsonaro: “Perigo para o Brasil e o mundo” 


O presidente faz o país ser reconhecido mundialmente como fracasso no combate à covid-19 e aniquila a possibilidade de vencermos a crise sanitária com seu discurso mentiroso e genocida. E mais: coloca os brasileiros no corredor da morte. Isso porque, ao negar a ciência, permite que sejamos terra fértil para novas variantes do vírus e assim consente com o colapso do sistema de saúde dos estados e municípios. Como se não bastasse, não compra vacinas, planeja uma campanha de vacinação pífia, deixa os brasileiros sem respirar com falta de oxigênio e “kit de intubação”. Enfim, banaliza a morte.


A pandemia da covid-19 vai deixar grandes problemas na nossa estrutura de saúde e isso vai muito além do colapso dos serviços


A pandemia da covid-19 vai deixar grandes problemas na nossa estrutura de saúde e isso vai muito além do colapso dos serviços. Além das vidas perdidas, o atendimento às sequelas das pessoas que foram infectadas e os acompanhamentos dos tratamentos represados – muitas pessoas perderam o segmento para o tratamento de suas comorbidades e não estão conseguindo acessar os serviços de saúde – vai sobrecarregar o SUS.

A lista de irresponsabilidades de Bolsonaro não tem fim. No pior momento da pandemia, os estados não têm leitos de UTI. Parte do que sofremos hoje está relacionado a remontar as estruturas que foram desmobilizadas no último período. Ao longo de 2020, 13 mil leitos foram abertos e 9 mil fechados no início deste ano devido ao corte no envio de recursos pelo governo federal aos estados e municípios, o que contribuiu para o colapso do sistema de saúde.

Salvar vidas e a economia

Isso também se relaciona com a opção de escolhermos estruturas provisórias no lugar de aumentar as estruturas do SUS em muitos lugares, por duas grandes razões. A primeira é o desfinanciamento do SUS provocado pelo governo federal, que diminui a capacidade de investimento, de construção, principalmente da competência dos gestores públicos proverem saúde para seu povo. A segunda é a opção de curto prazo, onde os estados, municípios e União fazem a opção por gastar menos com saúde agora e mais no futuro. Porque mesmo depois do fim da pandemia, os serviços de saúde estarão sobrecarregados. Portanto, enfrentar isso significa que o SUS precisará de mais investimentos. Para reverter esse contexto, é constante a luta dos parlamentares de oposição no Congresso Nacional por mais recursos no orçamento de 2021 para a saúde.

Só com a defesa do povo brasileiro é que vamos reduzir os danos da pandemia, salvar vidas e a economia. Não é culpa do povo brasileiro o descontrole da doença, a falta de leitos ou de vacinas, mas sim do Presidente da República, Jair Bolsonaro.


Alexandre Padilha é médico, professor universitário e deputado federal (PT-SP). Foi Ministro da Coordenação Política de Lula e da Saúde de Dilma e Secretário de Saúde na gestão Fernando Haddad na cidade de SP


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