em uma semana

A poucos dias do Natal, SP registra mais de 50 mil novos casos e 1.108 mortes pela covid-19

Número de novos casos de covid-19 cresceu 55% em 28 dias e é o maior em quatro meses. Mortes subiram 41% no último mês e estão no maior patamar desde o fim de setembro

Sandro Pereira/Agência PT
Com agravamento da pandemia de covid-19 próximo do natal pode levar São Paulo a uma situação semelhante à de Manaus há alguns meses

São Paulo – Enquanto o governo de João Doria (PSDB) segue segurando medidas mais firmes para evitar a disseminação da covid-19, por conta das festas de Natal e Ano Novo, o estado de São Paulo registrou 50.596 novos casos e 1.108 mortes causadas pela covid-19 na última semana (13 a 19 de dezembro). O crescimento do número de novos casos chegou a 55% e o de mortes a 41% no último mês. Considerando apenas a última semana, o aumento foi de 4,3% e 13,5%, respectivamente. Às 12h45 desta segunda-feira (21), o governador deve apresentar oficialmente os dados da última semana e, eventualmente, anunciar novas medidas para evitar um maior agravamento da pandemia.

Segundo as informações registradas no Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi) do governo paulista, a última vez que o estado de São Paulo teve mais de 50 mil casos foi na semana de 30 de agosto a 5 de setembro, quando foram registrados 51.650 novos casos. Nas últimas quatro semanas, o número de novos casos vem subindo constantemente, de 32.627, no final de novembro, para 50.596 na última semana. E, considerando as aglomerações vistas no comércio e bares nos últimos dias, a pandemia de covid-19 deve se agravar ainda mais em São Paulo após o Natal.

Número de novos casos registrados por semana, segundo o Simi do governo paulista

No caso das mortes por covid-19 em São Paulo, foram registrados no Simi 785 óbitos na semana de 22 e 28 de novembro. Na semana seguinte, foram 928. Entre 6 e 12 de dezembro, 976. E, na última semana, 1.108. O aumento nas mortes foi de 41% nesse período. É o maior patamar de mortes desde a semana de 20 a 26 de setembro. A RBA utilizou o mesmo padrão de análise do governo paulista, com fechamento da semana epidemiológica no sábado (19).

Na semana de 1 a 7/11 houve apagão de dados, o que causou a discrepância no gráfico

A ocupação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) também vem subindo constantemente há semanas. E chegou a 61,9% neste sábado (19). É a maior taxa de ocupação de UTIs desde 1º de agosto. A média de pacientes internados por dia chegou a 4.792, o maior número desde 11 de setembro, quando a média era de 4.769.

Desde o dia 30 de novembro, todo o estado encontra-se na fase amarela do Plano São Paulo, que define a flexibilização da quarentena e a abertura do comércio. No entanto, a mudança mudou muito pouco a situação em que as regiões se encontravam, mantendo o comércio aberto, inclusive shoppings, bares, restaurantes e espaços culturais. Informações de bastidores indicam que o governo Doria só vai aumentar o rigor da quarentena contra o novo coronavírus em 4 de janeiro.

Natal com covid-19 na Grande São Paulo

Segundo os dados do Simi, a cidade de São Paulo também apresenta um agravamento contínuo da pandemia do novo coronavírus. Nas últimas duas semanas, a capital paulista registrou mais de 10 mil novos casos de covid-19. A ocupação de UTIs está em 68,7%, pior situação desde o final de junho. E o número de mortes pela doença cresce sem parar há oito semanas: de 170 óbitos, na semana de 25 a 31 de outubro, para 322, na última semana. Um aumento de quase 90% no período.

Mortes na capital paulista registradas pelo Simi do governo paulista

Os dados do Simi computam mais mortes que os da prefeitura de São Paulo. Mas a situação é grave da mesma forma. Segundo o Boletim Diário Covid-19, a cidade teve 247 mortes na semana de 6 a 12 de dezembro, o maior número desde a semana de 21 a 27 de agosto, quando ocorreram 257 óbitos. A trajetória de aumento chegou a 166% nas últimas oito semanas, passando de 93 para 247 mortes. Apesar disso, o governo do prefeito Bruno Covas (PSDB) também não aplicou nenhuma nova medida mais rígida em relação à quarentena no município.

No conjunto, a grande São Paulo tem 67,3% de ocupação de UTI e um aumento de 18,2% nas mortes, na última semana. No entanto, observando as cinco sub-regiões separadamente – além da capital –, a taxa de ocupação de UTI é significativamente diferente entre elas. Na sub-região leste, formada pelas cidades de Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano, a taxa de ocupação de UTI está em 71,1%.

Em seguida, a pior situação é da sub-região sudeste, formada pelas cidades do ABC paulista: Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. A taxa de ocupação de UTI está em 66,2%. Na sub-região sudoeste, formada pelas cidades de Cotia, Embu, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista, a taxa está em 57,6%.

A sub-região oeste, formada por Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus e Santana de Parnaíba, tem 56,1% de ocupação de UTI. E a sub-região norte, composta por Caieiras, Cajamar, Francisco Morato, Franco da Rocha e Mairiporã, está com tem 55,2%.


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