Gestor populista

Doria ignora piora na pandemia e anuncia vacinação antes de eficácia da CoronaVac ser comprovada

Mesmo com aumento de internações, casos e mortes há 30 dias, governador paulista prefere anunciar vacinação ainda incerta, em vez de agir para conter a contaminação

GovSP
Enquanto faz populismo com a vacina, Doria não toma medidas efetivas para frear o agravamento da pandemia e não cumpre os prazos prometidos

São Paulo – O governador paulista, João Doria (PSDB), anunciou hoje (7) que a vacinação contra o novo coronavírus no estado vai ter início em 25 de janeiro. No entanto, ainda não foram apresentados dados de eficácia da vacina CoronaVac, produzida em parceria do laboratório chinês Sinovac com o Instituto Butantan – a previsão é de que sejam divulgados no próximo dia 15. Ao mesmo tempo, Doria ignora o contínuo aumento das internações de pacientes com covid-19, que hoje completa 30 dias de curva ascendente em São Paulo, com aumento de quase 50% no número de pessoas internadas e média de 1.395 novas internações por dia. Nenhuma nova medida para conter o avanço da pandemia foi anunciada e todo o estado permanece na fase amarela.

A promessa de Doria de iniciar a vacinação contra o coronavírus no próximo mês depende também da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Que por sua vez, aguarda a apresentação dos dados de eficácia da vacina, na terça-feira da próxima semana. A agência tem prazo de 60 dias para analisar os documentos. O processo pode atrasar o cronograma proposto.

Além disso, Doria já havia anunciado outras datas de apresentação de resultados da vacina e de início da vacinação antes. Nenhum se cumpriu.

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Até agora, a CoronaVac se mostrou segura, com poucas reações adversas e resposta imunológica de 97%. Isso significa que apenas 3% das pessoas que tomaram a vacina não apresentaram produção de anticorpos. No entanto, a eficácia, ainda a ser conhecida, mede qual o percentual de pessoas ainda ficou exposta à doença mesmo depois de ter recebido o imunizante.

A proposta de Doria para a vacinação contra o novo coronavírus é que primeiro sejam vacinados os profissionais de saúde e grupos vulneráveis, como indígenas e quilombolas. Na sequência, pessoas com mais de 60 anos. Na primeira fase devem ser vacinadas 9 milhões de pessoas.

Cronograma estadual – primeira fase

Público Alvo1ª dose2ª dose
Trabalhadores da saúde, indígenas e quilombolas25/115/2
75 anos ou mais8/21º/3
70 a 74 anos15/28/3
65 a 69 anos22/215/3
64 a 60 anos1º/322/3

Fonte: Governo de São Paulo


Vacinação x medidas de contenção

Enquanto anuncia para a imprensa uma data para iniciar a vacinação que não pode assegurar, Doria abandonou as ações de contenção para evitar um agravamento ainda maior na pandemia. Na semana passada, o governador disse que aumentaria as restrições à circulação e ao funcionamento do comércio se a situação não melhorasse. No entanto, enquanto internações, casos e mortes continuam crescendo, nenhuma ação foi tomada pelo governo paulista. Várias prefeituras anunciaram que não cumprirão sequer as poucas determinações da fase amarela do Plano São Paulo, atualmente em vigor.

No período de um mês, a taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no estado subiu de 39,4%, em 7 de novembro, para 56,3% hoje. Um salto de 43%. O total de pacientes internados passou de 6.901 para 10.334 no mesmo período. Segundo dados do Boletim Coronavírus, só na última semana, as internações subiram 9,5% em relação ao período anterior.

Dados do Boletim Coronavírus mostram o grave aumento nas internação em São Paulo

O aumento de novos casos também disparou, segundo o Boletim Coronavírus. Apenas nos últimos sete dias o aumento foi de 53,1% em relação à semana anterior. A média atual de novos casos é de 6.756 por dia. Há um mês, a média era de 1.401 por dia.

No caso das mortes, a variação em uma semana foi de 16,1% em todo o estado. A média diária de mortes chegou a 134, maior número desde 12 de outubro. Os dados representam significativa piora do que foi apresentado por Doria há uma semana.

Além de não apresentar novas medidas, Doria vem sendo confrontado por prefeitos que dizem que não vão cumprir a fase amarela decretada há uma semana. A prefeitura de Americana, na região de Campinas, manteve o comércio funcionando 12 horas. No litoral norte, Ubatuba, São Sebastião, Ilhabela e Caraguatatuba também não vão cumprir o decreto do governo.

Grande São Paulo

A piora na pandemia também está evidente na Grande São Paulo. A taxa de ocupação de leitos de UTI subiu de 42,3% para 63% em um mês, um aumento de 49%. A média diária de internações é 832, contra 499 há 30 dias. A média diária de mortes subiu de 27 para 80 no mesmo período. E o número de novos casos cresceu 38,3% apenas na última semana.

Gráfico das internações na Grande São Paulo também mostram o agravamento da pandemia

Apenas na capital paulista, o número de casos quadruplicou, passando de 413 por dia, em média, para 1.651 por dia no último mês. Isso apesar de o governo do prefeito Bruno Covas (PSDB) ter deixado de registrar os resultados de 109 mil testes de covid-19 entre setembro e outubro. A média de mortes também subiu. De 19 por dia para 44 óbitos diários, em um mês. A taxa de ocupação de UTI na cidade está em 57%, com 1.036 pessoas internadas, sendo 570 em UTI. Há um mês, a taxa era de 33%.

Edição: Fábio M. Michel


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