índole de torturador

Bolsonaro, ‘cúmplice da tortura e da morte’, não merece confiança dos brasileiros, afirma Dilma

Dilma Rousseff responde a Bolsonaro, que já enalteceu tortura e debochou da história da ex-presidenta, presa política e vítima de violência da ditadura

Roberto Stuckert/PR e Pedro Ladeira/Folhapress
"O ocupante do Palácio do Planalto se comporta como um fascista. E, no poder, tem agido exatamente como um fascista", disse Dilma

São Paulo – “O ocupante do Palácio do Planalto se comporta como um fascista. E, no poder, tem agido exatamente como um fascista”, disse a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), para quem Jair Bolsonaro tem “índole de torturador”. O presidente debochou hoje (28) do fato de Dilma ter sido presa e torturada durante a ditadura civil-militar (1964-1985). Bolsonaro tem histórico de defesa do regime totalitário que aplicava sistematicamente tortura contra adversários políticos.

Diante de poucos apoiadores, Bolsonaro se divertiu com o caso. “Dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela. Traz o raio X para a gente ver o calo ósseo. Olha que eu não sou médico, mas até hoje estou aguardando o raio X”, disse, aos risos.

Em resposta, Dilma classificou Bolsonaro como “um sociopata, que não se sensibiliza diante da dor de outros seres humanos, não merece a confiança do povo brasileiro”. Ela ainda lamenta a postura do presidente e diz estar triste pela condição do Brasil, que conta com um “indivíduo que não sente qualquer empatia por seres humanos, a não ser aqueles que utiliza para seus propósitos” na chefia do Executivo.

Indigno

“A visão de mundo fascista está evidente na celebração da violência, na defesa da ditadura (…) Bolsonaro não insulta apenas a mim, mas a milhares de vítimas da ditadura militar, torturadas e mortas, assim como aos seus parentes. Muitos dos quais sequer tiveram o direito de enterrar seus entes queridos”, afirma a ex-presidenta.

Dilma também lembrou do histórico de deboche do presidente diante da pandemia de covid-19, a maior crise sanitária do mundo em mais de 100 anos. “Bolsonaro não respeita a vida, é defensor da tortura e dos torturadores, é insensível diante da morte e da doença, como tem demonstrado em face dos quase 200 mil mortos causados pela Covid-19 que, aliás, se recusa a combater”, disse.

Leia íntegra da resposta de Dilma Rousseff

Índole de torturador

Quem não se sensibiliza diante da dor de outros seres humanos, não merece a confiança do povo brasileiro.

Jair Bolsonaro promoveu mais uma de suas conhecidas sessões de infâmia e torpeza, falando a um pequeno grupo de apoiadores, nesta segunda-feira, 28 de dezembro.

Como não respeita nenhum limite imposto pela educação e pela civilidade, uma exigência a qualquer político, e mais ainda a um presidente da República, desmoraliza mais uma vez o cargo que ocupa. Mostra-se indigno ao tratar com desrespeito e com deboche o fato de eu ter sido presa ilegalmente e torturada pela ditadura militar. Queria provocar risos e reagiu com sórdidas gargalhadas às suas mentiras e agressões.

A cada manifestação pública como esta, Bolsonaro se revela exatamente como é: um indivíduo que não sente qualquer empatia por seres humanos, a não ser aqueles que utiliza para seus propósitos. Bolsonaro não respeita a vida, é defensor da tortura e dos torturadores, é insensível diante da morte e da doença, como tem demonstrado em face dos quase 200 mil mortos causados pela Covid-19 que, aliás, se recusa a combater. A visão de mundo fascista está evidente na celebração da violência, na defesa da ditadura militar e da destruição dos que a ela se opuseram.

Cúmplice da tortura e da morte

É triste, mas o ocupante do Palácio do Planalto se comporta como um fascista. E, no poder, tem agido exatamente como um fascista. Ele revela, com a torpeza do deboche e as gargalhadas de escárnio, a índole própria de um torturador. Ao desrespeitar quem foi torturado quando estava sob a custódia do Estado, escolhe ser cúmplice da tortura e da morte.

Bolsonaro não insulta apenas a mim, mas a milhares de vítimas da ditadura militar, torturadas e mortas, assim como aos seus parentes, muitos dos quais sequer tiveram o direito de enterrar seus entes queridos.

Um sociopata, que não se sensibiliza diante da dor de outros seres humanos, não merece a confiança do povo brasileiro.