Duas semanas depois

São Paulo ainda aguarda Bolsonaro enviar equipamentos de combate à covid-19

Governo paulista reafirmou pedido de cem respiradores, 4 milhões de EPI, insumos hospitalares e habilitação de novos leitos feitos há 15 dias

Marcos Corrêa/PR
Ex-aliados, Bolsonaro e Doria passaram a enfrentamento aberto em meio à pandemia, prejudicando a população

São Paulo – O governo de Jair Bolsonaro ainda não informou uma data para atender os pedidos do governador paulista, João Doria (PSDB), de equipamentos e recursos para enfrentamento da pandemia de covid-19. Há 15 dias, o governo paulista solicitou o repasse de 100 respiradores para o Hospital das Clínicas, 1,6 mil kits de monitoramento de pacientes, 4 milhões de testes rápidos para a população, 20 milhões de insumos para a coleta de exames, 2,6 milhões de medicamentos emergenciais e 4,2 milhões de equipamentos de proteção individual (EPIs), como máscaras N95 e cirúrgicas, luvas e aventais.

“Reforço mais uma vez o pedido, publicamente, e espero que o ministro da Saúde, Nelson Teich, tenha postura republicana. Não se trata de disputa política, mas do enfrentamento de uma pandemia da qual o estado de São Paulo é o epicentro. Em 60 dias, tudo que recebemos foram os R$ 92 milhões pactuados com o ex-ministro Henrique Mandetta”, disse Doria, criticando o governo Bolsonaro em entrevista coletiva no início da tarde de hoje (13).

No caso dos respiradores, o governo Bolsonaro requisitou que toda a produção nacional fosse direcionada ao Ministério da Saúde, que faria o repasse aos estados. Com isso, as secretarias estaduais de Saúde ficaram impossibilitadas de comprar equipamentos nacionais. Apesar disso, o governo federal ainda não encaminhou nenhum equipamento e o país já chegou a 177 mil casos, com 12.599 mortos. Em São Paulo, são 51 mil casos, com 4.118 mortos.

Além dos materiais, foi solicitada a habilitação de leitos hospitalares, o que implica em aumento de repasse de verba do governo federal ao estado. Uma parte dos leitos foi habilitada, mas ainda faltam 700, segundo o secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann. São Paulo tem cerca de 9 mil pessoas internadas em tratamento contra a covid-19, sendo 3.702 em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e 5.950 em enfermarias. A taxa de ocupação de UTI é de 68% no interior e 87% na Grande São Paulo.

Doria também disse que não vai acatar o decreto de Bolsonaro que incluiu academias e salões de beleza nas atividades essenciais, autorizando seu funcionamento em meio à pandemia. Segundo o coordenador do Comitê de Contingência do Coronavírus de São Paulo, Dimas Covas, não é possível garantir a segurança dos frequentadores desses espaços. No caso das academias, a respiração mais ofegante e o ambiente fechado e úmido, bem como a dificuldade em higienizar cada equipamento após cada uso, facilitam a proliferação do vírus. No caso dos salões de beleza, a proximidade entre as pessoas facilita a transmissão.