Pânico

Apesar de decisão do STF sobre segunda instância, Moro diz que Lula deveria cumprir pena

O ministro comentou que não deve deixar o governo e desmentiu que estaria pensando em se candidatar à sucessão de Bolsonaro

Reprodução/|Twitter
Ministro disse que possibilidade de ser indicado a uma vaga no STF por Bolsonaro é uma "perspectiva interessante"

São Paulo – Apesar da decisão do Supremo Tribunal Federal que, em novembro, determinou que um condenado só pode ser preso após o trânsito em julgado (esgotados todos os recursos), o ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, se disse contrário à soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula foi libertado logo após a decisão do STF.

“O correto era ter saído após ter cumprido a pena”, disse Moro em entrevista ao programa Pânico da rádio Jovem Pan. O  magistrado foi o condutor do processo que julgou e condenou o ex-presidente no âmbito da operação Lava Jato em Curitiba. O ocupante da pasta da Justiça defende a mudança da regra imposta pelo STF por meio do Congresso Nacional.

Moro comentou que não deve deixar o governo e desmentiu que estaria pensando em se candidatar à sucessão do presidente Jair Bolsonaro na eleição de 2022. Disse que não será candidato por uma “questão de lealdade” ao atual ocupante da presidência da República.

Na semana passada, o clima ficou tenso entre Bolsonaro e Moro. O presidente estaria articulando o desmembramento do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Moro ficaria apenas com a Justiça, o que prejudicaria seus planos de capitalizar politicamente ações na Segurança Pública, uma das maiores preocupações do eleitorado do país.

Moro disse, em tom de brincadeira, que sua permanência no cargo, da qual falou no Pânico, será conhecida “como o segundo Dia do Fico no Brasil”, em referência ao episódio da história brasileira em que D. Pedro 1º se negou a deixar o Brasil e voltar a Portugal. Moro disse ainda que considera como uma “perspectiva interessante” a possibilidade de ser indicado por Bolsonaro a uma vaga no STF.

Nos próximos dois anos duas cadeiras no tribunal ficarão vagas. Em 2020, o ministro Celso de Mello, decano da corte, será aposentado compulsoriamente, porque vai completar 75 anos. Em 2021, será a vez do ministro Marco Aurélio Mello.  Bolsonaro já chegou a dizer que indicaria ao Supremo alguém “terrivelmente evangélico”.

Em julho de 2019, em entrevista à RBA, Marco Aurélio comentou com ironia a possibilidade de Sergio Moro ser indicado a uma vaga na mais alta corte do país. “Que não seja a minha! Você, presidente da República, o indicaria a uma cadeira no Supremo? Eu não indicaria”, ironizou o ministro.

Na ocasião, Marco Aurélio afirmou que o comportamento de Moro “é péssimo para a magistratura nacional, porque a fragiliza”. O ministro fez o comentário ao falar das revelações do site The Intercept Brasil, e as revelações dos diálogos de Moro com o procurador Deltan Dallagnol.