Funcionário

Maia critica Moro por pressão sobre ‘pacote anticrime’: ‘Conhece pouco a política’

Como chefe de poder, Maia diz que é função de Bolsonaro dialogar com a presidência da Câmara. E afirmou que 'pacote' é 'copia e cola' de proposta apresentada por Alexandre de Moraes durante governo Temer

Marcelo Camargo/Agência Brasil/Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Sérgio Moro e Rodrigo Maia

Moro “está passando daquilo que é a responsabilidade dele”, criticou Maia

São Paulo – O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, após ser cobrado sobre a tramitação do chamado “pacote anticrime“. Maia disse que Moro é “funcionário” do presidente, Jair Bolsonaro (PSL), e que estaria extrapolando as suas competências. Ele também criticou a originalidade do pacote. 

“Eu acho que ele conhece pouco a política. Eu sou presidente da Câmara, ele é ministro, funcionário do presidente Bolsonaro. O presidente Bolsonaro é que tem que dialogar comigo. Ele está confundindo as bolas. Ele não é presidente da República. Ele não foi eleito para isso. Está ficando uma situação ruim para ele, porque ele está passando daquilo que é a responsabilidade dele”, afirmou Maia, nesta quarta-feira (20) em Brasília. 

Sobre a falta de originalidade das propostas, que também vem sendo criticadas por diversas entidades de direitos humanos e do mundo jurídico, Maia afirmou tratar-se de uma cópia de propostas elaboradas pelo ministro Alexandre de Moraes, hoje no Supremo Tribunal Federal, quando ocupou a pasta da Justiça no governo de Michel Temer. 

“O projeto é importante. Aliás ele está copiando o projeto do ministro Alexandre de Moraes. Copia e cola. Então, não tem nenhuma novidade. Poucas novidades no projeto dele. Nós vamos apensar um ao outro. O projeto prioritário é o do ministro Alexandre de Moraes”, declarou o presidente da Câmara. 

Maia teria se irritado pelas repetidas cobranças. Moro já havia pressionado pela andamento do projeto em encontro realizado no fim de semana. O ministro teria cobrado novamente, mandando mensagens a Maia durante a madrugada.

Quando foi apresentado, no início de fevereiro, o compromisso era que o pacote tramitaria no Congresso concomitantemente à proposta de “reforma” da Previdência do governo Bolsonaro. Esta tampouco avançou, à espera de projeto de reforma das Previdência dos militares. 

Em resposta às críticas de Maia, apoiadores do governo impulsionaram no Twitter as hashtags #rodrigorespeitasergiomoro e #EuApoioOProjetoAnticrime, incluindo ameaças ao presidente da Câmara. “Acho bom tu colocar as barbas de Molho Rodrigo maia, sai da Rota de fogo”, diz o perfil @RadarPolíticoBR, por exemplo.