No novo governo

Eleição do DEM no Congresso indica continuidade da ‘política de favor’

Na análise do professor André Singer, dupla do partido na Câmara e no Senado 'irá impor seu preço' ao governo de Bolsonaro – que, para conseguir apoio, deve negociar com a velha política

Fabio Rodrigues Pozzebom/EBC
Maia e Acolumbre (DEM)

Novo governo “terá de negociar com o chamado ‘arco clientelista’ que irá o seu preço”, afirma André Singer

São Paulo – Os resultados das eleições para a presidência na Câmara e no Senado que levaram ao posto o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), na sexta-feira (1º) e no sábado (2), respectivamente, confirmam o quão vagas são as promessas de mudanças do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que, para governar, terá de negociar com a chamada velha política, tão criticada. É a avaliação do professor em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP) André Singer.

“O resultado confirma a manutenção do que eu chamo de ‘partido do interior’ no poder (…) Basicamente são oligarquias regionais que conseguem manter uma forte representação no Congresso Nacional com base em uma relação de clientelismo”, explica Singer, ex-secretário de Imprensa da Presidência da República durante o governo Lula e também autor do livro O lulismo em crise, em entrevista ao jornalista Rafael Garcia, da Rádio Brasil Atual.  

Na prática, de acordo com o professor, ainda que figurões da política representados pelo MDB tenham sido afetados nas eleições de outubro ou ainda neste início de mandato, a troca pela dupla do DEM nas Casas legislativas, configura uma mudança apenas de legendas, já que ambas além de terem a mesma origem, também defendem as mesmas pautas e interesses.

“(O novo governo) terá de negociar com esse ‘arco clientelista’ que irá impor o seu preço”, afirma Singer. O que se apresenta pela frente não é muito positivo, infelizmente, para a classe trabalhadora, analisa.

Ouça a entrevista:

Você pode conferir a partir do ponto 16:29