Eleições 2018

Com chapéu de Brizola e ‘escolado’, Ciro diz que vai ao segundo turno

Candidato do PDT tem apoio de dirigentes de quatro centrais e afirma que pesquisa do Ibope em 2014 apontou resultado diferente do visto nas urnas. 'Aqui não tem Cirinho paz e amor', disse sindicalista

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Ciro na sede do Sindicato dos Metalúrgicos: reforma trabalhista ‘decidida nos gabinetes’ será revogada

São Paulo – “Acho que a vitória está se garantindo aqui, hoje”, disse Ciro Gomes no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, na região central da capital paulista, recebido por dirigentes de quatro centrais. Com estocadas no petista Fernando Haddad, o presidenciável do PDT recebeu um chapéu que foi usado por Leonel Brizola em 2004 e se disse “escolado” em relação a pesquisas de intenções de voto. A referência era ao Ibope, que ontem o mostrou em desvantagem, no terceiro lugar, em relação a Haddad.

“Sou completamente escolado. Esse filme eu já vi todinho”, disse Ciro, ao citar o mesmo instituto, que segundo ele em setembro de 2014 colocava no segundo turno Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (Rede), bem à frente de Aécio Neves (PSDB). Dilma foi, mas terminou quase empatada com o tucano, até então considerado fora da disputa, lembrou o candidato. Ele criticou o que chamou de “desmantelo” da política econômica da própria Dilma e de Michel Temer e afirmou que Aécio, ao não reconhecer o resultado das urnas naquele ano, precipitou a crise política.

“Eu quero unir o Brasil, quero encerrar essa jornada de violência, de ódio”, afirmou o candidato do PDT. “Precisamos derrotar o fascismo”, acrescentou, referindo-se a Jair Bolsonaro (PSL). Segundo ele, dizer que o trabalhador precisa optar entre emprego ou direitos, como fez o candidato, é “mentira”. O pedetista falou mais uma vez em revogação da “reforma” trabalhista, “decidida nos gabinetes”, sem negociação e sem um período de transição. “Vamos pra cima e revogar todas essas impertinências, substitui-las por um projeto novo, que valorize quem trabalha.”

Ciro chegou à sede do sindicato ao lado do presidente nacional do PDT, o ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi, do presidente interino da Força Sindical (e do próprio sindicato), Miguel Torres, e do secretário-geral da central, João Carlos Gonçalves, o Juruna. Também estavam lá, entre outros, Antonio Carlos dos Reis, o Salim, vice-presidente da UGT, e o secretário-adjunto do Serviço Público e dos Trabalhadores Públicos da CTB, Marcos Antonio Correa da Silva, o Marquinho. Os dirigentes da CTB apoiam majoritariamente a chapa Haddad/Manuela D´Ávila (PCdoB). A CUT já manifestou apoio à chapa.

A plateia tinha representantes da Nova Central e da CSB, cujo presidente, Antonio Neto, é candidato a senador na chapa de Ciro. Outro ex-ministro, Antonio Rogério Magri, hoje assessor da Força, participou do ato.

“Nós, trabalhadores, temos a sorte de ter dois candidatos do campo da esquerda que estão bem”, disse Juruna, citando Ciro e Haddad, mas reiterando apoio ao pedetista. “Não vamos pelo Datafolha ou pelo Ibope.” 

Também vice da UGT, o ex-deputado Roberto Santiago (PSB) fez parte da mesa e defendeu Ciro – e seu temperamento. “Em determinados momentos, se você não tiver essa veemência, mostrar a que veio, já teria sido superado, não seria o Ciro que conhecemos. Aqui não tem Cirinho paz e amor, tem Ciro verdadeiro, que vai tocar este país.”

Miguel afirmou que o candidato do PDT foi o primeiro a defender a revogação da “reforma” trabalhista. “Você falou isso na cara do empresariado”, disse ainda, lembrando de evento na Confederação Nacional da Indústria (CNI). “Queremos que este país tenha um projeto nacional de desenvolvimento”, defendeu Miguel, acrescentando que, daqui até o dia de eleição, serão “25 horas por dia” de campanha para eleger Ciro. Vários falaram ainda da revogação da Emenda Constitucional (EC) 95, de congelamentos de gastos públicos.

Momento de brigar

Houve um momento simbólico, em que o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e da Força citou uma foto, em sua sala, em que aparece ao lado do ex-governador Leonel Brizola, em 2004, ano em que o líder máximo do PDT morreu. Miguel Torres lembrou que Brizola um chapéu que ele mantém guardado até hoje, e o ofereceu para Ciro, que pôs na cabeça e posou rapidamente para fotos, com o braço direito erguido. 

Em discurso de 25 minutos, Ciro disse que estava com “a vida ganha” e não pensava em ser candidato, mas decidiu reagir a partir do impeachment. “Fui para a rua brigar, e me sentiria um covarde se não fizesse isso.” Segundo ele, a elite brasileira contraria seus próprios interesses ao resistir a mudanças. “O capitalismo moderno se afirma no consumo de massa, que se afirma na renda. O motor do consumo é o salário, a renda e o crédito”, afirmou.

Sobre Haddad, disse ser “boa pessoa”, mas acrescentou que dois anos atrás o petista, apoiado por Lula, perdeu “de lavada”, em primeiro turno, ao tentar a reeleição contra o “farsante” João Doria. “Isso não diminui ele”, afirmou em seguida, questionando, no entanto, a capacidade do petista de conter o avanço “do nazismo, do fascismo, do extremismo”. Na rápida entrevista coletiva ao final do ato de apoio, incomodou-se com repetidas perguntas de um repórter sobre Haddad. “Você só quer saber de futrica”, respondeu, sorrindo.