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defesa da democracia

Manifestantes em greve de fome se encontram com Lewandowski no STF

Os seis manifestantes, em greve de fome pelo décimo dia, foram recebidos hoje pelo ministro do Supremo. 'Preço da lentidão da Justiça será ver corpos velados em frente ao STF', disse um deles
por Redação RBA publicado 09/08/2018 20h30, última modificação 09/08/2018 20h43
Os seis manifestantes, em greve de fome pelo décimo dia, foram recebidos hoje pelo ministro do Supremo. 'Preço da lentidão da Justiça será ver corpos velados em frente ao STF', disse um deles
divulgação
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Entre as razões da greve está o pedido de liberdade para o ex-presidente Lula

São Paulo – Seis ativistas, em greve de fome há 10 dias em Brasília, se encontraram hoje (9) com o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF). Dois dias antes, eles protocolaram 11 pedidos de audiências, um para cada ministro. Durante o encontro, os militantes explicaram os motivos da atitude extrema. "No primeiro momento, colocamos nossa pauta. Falamos do que se trata nossa greve", disse Rafaela Alves, após deixar o prédio do Supremo.

Entre as razões para o movimento está o pedido de liberdade para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a denúncia do empobrecimento do país após o impeachment da presidenta eleita em 2014, Dilma Rousseff (PT). Para os militantes, a agenda neoliberal de Michel Temer (MDB) é responsável por retrocessos históricos que devem ser combatidos.

Jaime Amorim, que também está em greve de fome, contou que Lewandowski foi cobrado da responsabilidade da corte para defender a Constituição Federal. "Viemos aqui para defender a Constituição que preza pela presunção de inocência. O Judiciário em Curitiba rasgou a Constituição e nós, o povo, defendemos o respeito a ela. Cabe a eles, que são os guardiões da Constituição, reverter o cenário", disse.

"Dissemos também que estamos denunciando a situação da miséria, da fome, do desemprego, da volta de doenças erradicadas, da violência que toma conta da juventude, a maioria negros das periferias do país. Para nós, é importante a liberdade de Lula por isso. Ele representa a esperança", completou Jaime.

O ativista disse que o ministro, ao ser cobrado das duas ações declaratórias de constitucionalidade (ADCs), que devem decidir sobre a prisão em segunda instância, fez uma defesa da atuação do STF nos últimos anos. "O ministro disse que temos que apostar que o STF vai fazer Justiça e que temos que acreditar que isso vai acontecer. Ele disse que, nesses anos, o STF tem aprovado medidas importantes para o Brasil. Ele fez uma defesa do STF. Não entrou em muitos detalhes."

Rafaela também lembrou a questão da defesa da soberania nacional como pauta dos grevistas. "O primeiro momento foi colocarmos nossa pauta do que se trata nossa greve de fome. Entre os pontos, também está a soberania nacional. Estamos perdendo nossas terras, nossa água, nosso petróleo. Tudo aquilo que é riqueza e que é fundamental para a construção do desenvolvimento do país."

Por fim, os militantes, visivelmente abatidos, reforçaram que vão prosseguir em greve de fome até as últimas consequências. "Firmamos nosso compromisso com a greve de fome e dissemos que a Justiça não pode ser lenta. O preço dessa lentidão vai ser ver, em alguns dias, corpos de companheiros e companheiras, que estão no compromisso da greve de fome, sendo velados e sepultados em frente ao STF", concluiu Rafaela.