Você está aqui: Página Inicial / Política / 2011 / 08 / Dilma: "A verdadeira faxina é a da miséria"

Dilma: "A verdadeira faxina é a da miséria"

Ao lançar Brasil sem Miséria no Sudeste, presidenta afirma que combate à pobreza extrema é chance de o país reafirmar que crescimento do mercado interno é remédio contra a crise internacional
por João Peres, da Rede Brasil Atual publicado , última modificação 19/08/2011 12h07
Ao lançar Brasil sem Miséria no Sudeste, presidenta afirma que combate à pobreza extrema é chance de o país reafirmar que crescimento do mercado interno é remédio contra a crise internacional

Dilma minimizou diferenças partidárias ao lado de governadores do PSDB, do PSB e do PMDB; 2,7 milhões de pessoas que vivem na miséria estão no Sudeste (Foto: Ricardo Stuckert Filho/Pr)

São Paulo – A presidenta Dilma Rousseff tirou o foco das brigas partidárias durante discurso nesta quinta-feira (18), em São Paulo, ao afirmar que a verdadeira "faxina" que o país deve fazer é no campo da miséria. Ao lançar a etapa do Sudeste do programa Brasil sem Miséria, ela deu novo significado ao termo que vem sendo empregado por parte da imprensa para se referir às demissões dos últimos três meses em autarquias e ministérios.

“É o Brasil inteiro fazendo um pacto pela verdadeira faxina que esse país tem que fazer: a faxina da miséria”, afirmou Dilma, muito aplaudida durante solenidade no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Na semana passada, Dilma lançou a etapa no Nordeste em Maceió, com a presença dos nove governadores da região.

Nesta quinta, ao lado do anfitrião Geraldo Alckmin, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e dos governadores Renato Casagrande (Espírito Santo), Antonio Anastasia (Minas Gerais) e Sérgio Cabral (Rio de Janeiro), a presidenta enfatizou a superação das diferenças partidárias na construção do programa. Ela fez questão de enfatizar que recebeu de Luiz Inácio Lula da Silva um Estado que tem na superação da pobreza a oportunidade de promover inclusão social e crescimento econômico. “O que era imperativo de ética humanista e de valores cristãos se transformou em uma chave para o desenvolvimento.”

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,7 milhões dos 16 milhões de brasileiros em pobreza extrema vivem no Sudeste. Destes, 79% estão em áreas urbanas, o que demanda do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, coordenador do Brasil sem Miséria, ações voltadas à qualificação de mão de obra e à criação de oportunidades produtivas.

Em todo o país, o programa terá duas frentes. A primeira, envolve mapear a população em condição de miséria para que possa ser incluída nos programas de assistência social, agora unificados sob a marca do novo programa. A segunda, busca criar alternativas para que a população assistida consiga ter renda própria e deixe de depender do auxílio financeiro público.

No caso do Sudeste, os maiores desafios em termos quantitativos estão em São Paulo e em Minas Gerais. Os paulistas convivem com 1 milhão de pessoas em situação de pobreza extrema, enquanto os mineiros possuem 900 mil pessoas vivendo com menos de R$ 70 ao mês. A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, ressaltou que é preciso que a região de maior riqueza econômica do país supere suas dificuldades sociais. “O maior desafio do Brasil sem Miséria é garantir que este dinamismo econômico se transforme em riqueza para a população.”

Todos os governos estaduais da região já lançaram ou estão por lançar programas de complemento de renda ao Bolsa Família. No caso de São Paulo, Rio de Janeiro e do Espírito Santo, a partir do próximo ano, os beneficiários das assistências estadual e federal terão um único cartão para receber o dinheiro. Para Dilma, isso demonstra que as diferenças partidárias foram superadas em prol do programa, que ela pretende transformar em sua bandeira de governo.

Em seu discurso, Dilma voltou a mencionar a crise financeira que tem assustado as economias da Europa e dos Estados Unidos. Na última semana, a presidenta defendeu por duas vezes que o Brasil está bem posicionado para enfrentar a possibilidade de recessão nas nações mais ricas do mundo, e descartou que a economia nacional venha a sofrer dos mesmos problemas. Nesta quinta, ela enfatizou que o país sabe que a criação de um mercado interno sólido é uma maneira de se evitar que se freie o processo de crescimento. “No meio de tantas interrogações, o Brasil já demonstrou que um dos caminhos seguros para sair da crise é combater a crise mais permanente da história humana, que é a pobreza.”