Emergência ambiental

‘Nada foi feito’ diante das mudanças climáticas, diz Greta Thunberg em Davos

Em conferência no Fórum Econômico Mundial, ativista afirma que os jovens do mundo e a ciência devem ocupar o centro das discussões

World Economic Forum/Sandra Blaser
"Pessoas morrem por causa das mudanças climáticas, e uma mínima fração de grau centígrado de aquecimento já é importante", disse a jovem ativista

São Paulo – A jovem ativista sueca Greta Thunberg afirmou nesta terça-feira (21) que é preciso fazer “muito mais” para deter as emissões de gases poluentes que contribuem para o agravamento do efeito-efeito estufa, e que os países ricos devem ajudar os países mais pobres. Ela também instou os líderes políticos e empresariais que participam do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, a ouvirem os jovens ambientalistas sobre os destinos do mundo.

“Ninguém esperava, mas há uma maior consciência e a mudança climática virou um tema ‘quente’. Mas, sob outro ponto de vista, nada foi feito, as emissões de CO2 não diminuíram, e esse é nosso objetivo”, afirmou Greta, durante o painel  intitulado “Construindo um caminho sustentável para um futuro coletivo”. Ela lidera o movimento Greve Global pelo Clima, que busca engajar jovens do mundo inteiro na luta contra o aquecimento global.

“Não sou uma pessoa que pode reclamar sobre não ser ouvida”, disse Greta, provocando risadas da plateia, mas acrescentou que a “ciência e os jovens” ainda não são “o centro da conversa”, e é preciso que passem a ser. Segundo ela, a emergência ambiental “é sobre nós e as futuras gerações e aqueles que são afetados hoje”. Ela afirmou ainda que “os países ricos devem chegar ao objetivo de zero emissão muito mais rapidamente e ajudar os países pobres”.

Ela também criticou a imprensa tradicional por calar-se diante dos impactos das mudanças climáticas, que atingem principalmente as populações mais vulneráveis dos países pobres. “As pessoas morrem por causa das mudanças climáticas, e uma mínima fração de grau centígrado de aquecimento já é importante. Mas não acho que tenha visto um único veículo de imprensa falar sobre isso”, afirmou.

Também participaram da discussão o ambientalista chinês Ma Jun, diretor da ONG Instituto de Assuntos Públicos e Ambientais; a geógrafa e ativista do Chade, Hindou Omarou Ibrahim, coordenadora da Associação de Mulheres Peúles e Povos Autótones do Chade (Afpat); o CEO do grupo alemão Allianz, Oliver Bäte: e o presidente da Fundação Rockfeller, Rajiv Shah.