Forças ocultas

Setor financeiro tenta manipular eleições nos Estados Unidos

A pouco mais de um ano das eleições, o setor financeiro pressiona partido Democrata a escolher representante do establishment, sob ameaça de apoio a Trump

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Warren vê sua popularidade crescer, enquanto setores financeiros apostam em Biden

São Paulo – As eleições presidenciais nos Estados Unidos estão previstas para novembro do ano que vem. Mesmo com um ano de antecedência, as campanhas já estão avançadas. Os candidatos buscam financiamento, instituto de pesquisas começam a divulgar as intenções de votos e as prévias aquecem o debate político no país. Como não poderia ser diferente, os agentes do mercado financeiro também começam a pressionar para tentar manipular o resultado.

O republicano Donald Trump será o candidato dos Republicanos para a reeleição. Do outro lado, os Democratas articulam suas prévias para decidir quem irá para a disputa. Na prática, apenas os dois partidos concorrem de fato, em um sistema eleitoral cheio de peculiaridades.

Como funcionam as eleições nos Estados Unidos

O establishment democrata, apoiado por setores financeiros, aposta em Joe Biden. O político do estado de Delaware foi vice-presidente de Barack Obama, durante os anos de 2009 e 2017. Biden vive um momento controverso. No início da semana, o Congresso, liderado pela democrata Nancy Pelosi, abriu um processo de impeachment contra Trump. Isso, porque o gabinete do presidente pressionou o chefe de Estado da Ucrânia a investigar um suposto caso de corrupção do filho de Biden, Hunter. O ato é considerado por muitos como traição.

Ao mesmo passo que este escândalo enfraquece Trump, também coloca Biden em uma situação delicada, com a suposta ligação de seu filho com um caso internacional de corrupção.

Pressão do mercado

No meio desse imbróglio, ganha força Elizabeth Warren. A senadora pelo estado de Massachusetts é uma crítica ferrenha dos privilégios dos mais ricos e do sistema financeiro. Com uma visão mais social, Warren prega o combate às desigualdades, melhor controle do setor financeiro e de comunicações.

Professora de Harvard, a senadora tem grande atuação na defesa dos consumidores frente a sistemas bancários que cobram dívidas ferozes, e quando entram em bancarrota, não arcam com suas responsabilidades.

Por tais motivos, Warren é vista com temor e ódio pelos mais ricos que lucram com um sistema criador de desigualdades. De acordo com a emissora norte-americana CNBC, investidores de Wall Street que financiam as campanhas democratas estão ameaçando migrar para Trump caso Warren ganhe força frente a Biden.

Essa força já é realidade. Em pesquisa divulgada ontem pela Universidade de Quinnipiac, pela primeira vez a senadora lidera as intenções de votos nas prévias: 27% dos eleitores preferem Warren, enquanto 25% estão com Biden. Por fora, corre o senador socialista por Vermont, Bernie Sanders, com 16%. Em simulações de confrontos entre Warren e Trump, ela vence em praticamente todos os cenários.

“Você está em um beco sem saída, porque você é democrata mas pensa: ‘Eu quero ajudar o partido, mas ela vai me prejudicar, então eu vou ajudar o presidente Trump'”, disse um investidor à CNBC. Em resposta, Warren comentou em seu Twitter: “Eu luto por uma economia e um governo que funcione para todos nós, não apenas para os mais ricos e bem relacionados. Não tenho medo de aspas anônimas e investidores ricos que não entrarão no processo. Não vou desistir de lutar por uma grande mudança estrutural que precisamos”.