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Espanhóis convocam novo protesto e dizem que só param quando governo cair

Manifestação de ontem contra medidas recessivas acabou com 36 detidos e 64 feridos, incluindo policiais
por Ópera Mundi publicado , última modificação 26/09/2012 13h58
Manifestação de ontem contra medidas recessivas acabou com 36 detidos e 64 feridos, incluindo policiais

Os organizadores pedem aos manifestantes que não caiam nas provocações dos policiais para evitar confrontos como os de ontem (Foto: Paul Hanna. Reuters)

São Paulo – Os organizadores da manifestação que pediu a criação de uma nova assembleia constituinte e a renúncia do presidente Mariano Rajoy convocaram nesta quarta-feira (26) novos protestos. “Não vamos parar até que o governo espanhol caia”, disse Celestino Sánchez, que participa das mobilizações.

A decisão vem em resposta à forte repressão policial ao protesto de ontem (25), que reuniu milhares de pessoas em frente ao parlamento nacional em Madri, capital do país. Pelo menos 36 manifestantes foram detidos e 64 pessoas ficaram feridas, incluindo 27 policiais, informou o jornal espanhol Publico.es.

A coordenação da manifestação, denominada de 25-S, explicou que o Congresso será cercado novamente nesta quarta e também no sábado (29), mas reiterou que os protestos são pacíficos. Para evitar novos confrontos com a polícia, os organizadores pediram aos manifestantes não cobrirem seus rostos e não responderem às provocações dos oficiais.

Apesar de admitirem a presença de grupos que podem ter se comportado de maneira violenta, os ativistas espanhóis levantaram a suspeita de policiais infiltrados nos protestos. Estes oficiais teriam incitado o confronto com a finalidade de justificar a repressão contra os manifestantes.

Além disso, os organizadores das manifestações qualificaram a atuação policial no protesto como “desproporcional”. “Queremos denunciar a gravidade dos fatos ocorridos ontem e a política brutal e criminalizada do governo que tentou criar medo para coagir os cidadãos”, disse nesta quarta Carlos, participante da comissão legal que surgiu da ocupação da praça Porta do Sol no ano passado, citado pelo Publico.es.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, se uniu às críticas dos manifestantes e denunciou durante o seu discurso na Assembleia Geral da ONU a "repressão" por parte da polícia espanhola contra os protestos em Madri. "Enquanto falamos aqui está ocorrendo uma repressão contra os indignados (em Madri) que se opõem às políticas de ajuste", afirmou na ocasião.

Os ativistas ainda asseguraram que o trabalho dos parlamentares não foi impedido pela manifestação e criticou a atuação do governo. “Não tem sentido a denuncia de ativistas que participaram da organização do protesto por crime contra os altos órgãos da nação”, disse Carlos se lembrando de oito companheiros que podem ficar presos por um ano pelo delito.

Os protestos do 25-S

Defendendo a criação de uma nova assembleia constituinte e exigindo a renúncia do presidente de governo Mariano Rajoy, milhares de espanhóis se concentraram nesta terça-feira (25/09) diante do parlamento nacional.

Convocado por vários sindicatos para denunciar o "sequestro da democracia" a partir de cortes orçamentários, o protesto começou com uma passeata pelas ruas do centro de Madri e terminou do lado de fora do Legislativo. Alguns deputados da bancada de esquerda do congresso se aproximaram da multidão que se amontoava do lado de fora do edifício.

Autoridades estimam que cerca de seis mil pessoas participaram das manifestações, que receberam o nome de "Cerque o Congresso". O projeto inicial dos sindicatos era bloquear a câmara dos deputados durante a sessão ordinária que promove todas as terças-feiras.

Mais de mil policiais, contudo, compareceram ao local para tentar evitar a ocupação do edifício. Manifestantes tentaram furar os bloqueios instalados pela polícia. Oficiais chegaram a golpeá-los com cassetetes. Participantes lançaram objetos contra policiais. O confronto ocorreu nas imediações da Porta do Sol, local que abrigou os acampados do movimento dos "indignados", em 2011.

María Dolores de Cospedal, líder do governista PP (Partido Popular), irritou representantes sindicais e membros de outras forças políticas ao comparar a decisão de cercar o Congresso com a tentativa de golpe de estado perpetrado em 23 de fevereiro de 1981 por comandos militares favoráveis ao regime franquista.

O ministro da Justiça, Alberto Ruiz-Gallardón, defendeu o direito da manifestação, mas ressaltou que chegar a um confronto com a soberania nacional representaria "uma agressão ao sistema democrático".

Os protestos contra o governo de Rajoy nesta terça-feira não se limitaram apenas à capital Madri. Em Barcelona, ao grito de "ladrões" e "culpados", cerca de 500 manifestantes se concentraram em frente ao parlamento regional da Catalunha para também criticar a atuação dos deputados e membros do governo local. 

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