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Brasil e México negociam amplo acordo econômico

por Isabel Versiani e Ana Nicolaci da Costa, da Reuters publicado , última modificação 09/11/2010 10h10

Brasília/São Paulo - Brasil e México anunciaram nesta segunda-feira a decisão de iniciar negociações formais para um acordo estratégico amplo de integração econômica. O objetivo é chegar a um entendimento em torno não apenas de redução de tarifas comerciais, mas também em relação a tratamentos preferenciais nas áreas de serviços, investimentos, compras governamentais e propriedade intelectual.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, disse esperar que o acordo possa ser assinado em 2012, contribuindo para aumentar o ganho de escala das empresas e dobrar o comércio bilateral em um prazo de 3 a 4 anos após isso.

"Ou Brasil e Mexico, que são as grandes economias da América Latina, conseguem fazer um processo de integração industrial que mantenha escala de produção na região, ou nossas indústrias migrarão para outros países, para outras regiões do mundo na realidade, para a Ásia fundamentalmente", afirmou Barral à Reuters.

Para o secretário, que atuou diretamente nas negociações com o México até então, alguns dos setores brasileiros que têm mais a ganhar na relação de complementaridade com a indústria mexicana são o petroquímico, a indústria eletroeletrônica e de partes e peças.

De janeiro a setembro, o Brasil exportou 2,7 bilhões de dólares para o México e importou 2,8 bilhões de dólares. As transações com o país latino representam atualmente 5 por cento do total das trocas do Brasil com o exterior --participação que Barral estima que poderá chegar a 10 por cento em até 2016, com o acordo.

"Vamos colocar muito esforço nessa negociação", disse Barral, acrescentando que o acordo obedece a uma "política de Estado", que não tende a sofrer alterações com a mudança de presidentes.

Sensibilidades

A negociação com o México será a mais ampla dentre as quais o Brasil está envolvido. Como ela tem origem em acordos assinados pelos dois países anteriormente à criação do Mercosul, ela poderá ocorrer independentemente dos demais países do bloco.

O anúncio desta segunda-feira é resultado de trabalhos feitos depois que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Felipe Calderón instruíram suas equipes, em agosto de 2009, a explorar as opções para aprofundar a relação comercial. Desde então, autoridades dos dois países tiveram seis encontros bilaterais e realizaram consultas com seus setores produtivos.

"Através do aprofundamento de sua relação econômica e com uma visão de longo prazo, Brasil e México estão seguros que o acordo não somente incrementaria os fluxos de comércio e investimento entre ambos os países, mas também impulsionaria de maneira importante o desenvolvimento e a integração da América Latina e do Caribe", segundo comunicado conjunto divulgado à imprensa pelo Itamaraty.

Conforme o comunicado na negociação do acordo "serão reconhecidas as sensibilidades de ambos os países e será outorgado tratamento especial aos setores vulneráveis.