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Líder da extrema-direita vai à TV e causa furor na Grã-Bretanha

por Tim Castle, Catherine Bosley e Keith Weir publicado 23/10/2009 14h49, última modificação 23/10/2009 14h49 © Thomson Reuters 2009. All rights reserved.

Nick Griffin, líder da extrema-direita do Partido Nacional Britânico (Foto: Tal Cohen/Reuters)

Londres  - A participação de um líder da extrema-direita em um programa da BBC desencadeou uma reação de furor na sexta-feira (23), com disputas sobre racismo e censura e alegações de que sua presença na TV ajudará seu partido a conquistar apoio nas eleições de 2010.

Durante a acalorada mesa-redonda, Nick Griffin, do Partido Nacional Britânico (BNP), defendeu o fato de já ter dividido uma plataforma com um líder do Ku Klux Klan, afirmou que nunca foi condenado por negar o Holocausto e fez críticas aos gays e ao Islã.

Jornais britânicos se uniram na sexta-feira na condenação a Griffin, com manchetes como "Fanático é Encurralado" e "Sou o homem mais odiado da Grã-Bretanha", enquanto o líder do BNP acusava o público do programa de ser uma turba linchadora.

Analistas disseram que a exposição de Griffin numa emissora nacional de televisão deve beneficiar o BNP, que nas eleições parlamentares europeias de junho conquistou quase 1 milhão de votos, seis por cento do total, e duas vagas no Parlamento.

"Infelizmente tenho certeza de que, no longo prazo, isso vai beneficiá-los", disse Ivor Gaber, professor de Campanhas Políticas na City University de Londres.

"O formato converteu (Griffin) em um Daniel na cova dos leões e deve ter gerado um pouco da tradicional simpatia britânica por quem está por baixo. Sabemos que qualquer atenção tende a beneficiar partidos políticos", acrescentou.

Sob fogo cerrado de alguns críticos por ter decido incluir Griffin na mesa-redonda ao lado de políticos dos principais partidos, a BBC disse que o público normal do programa Question Time, que geralmente é de cerca de 2,5 milhões de pessoas, subiu para 8 milhões na noite de quinta-feira.

"Isso revela claramente o interesse dos espectadores em ver políticos eleitos sendo interrogados pelo próprio público. A BBC se mantém firme em sua posição de que foi apropriada a presença de Griffin (no programa)", disse Mark Byford, vice-diretor da BBC.

O BNP se disse insatisfeito com o formato do programa, que na quinta-feira focou quase inteiramente em seu partido, em lugar de tratar da gama mais ampla de questões geralmente abrangida no Question Time.

"O público britânico ... está horrorizado com a manifestação de viés por parte da BBC, com as críticas venenosas da classe política e com a pura e simples injustiça", disse Griffin em coletiva de imprensa. "Não foi um Question Time legítimo, foi uma turba de linchamento".

Ele disse que o partido vai registrar uma queixa formal.

Voto urbano pobre

O secretário galês Peter Hain, que no passado foi um ativista destacado contra o apartheid, fez críticas acirradas à BBC.

"A BBC deveria se envergonhar de ter, sozinha, feito a um partido racista e fascista o maior favor de toda sua história suja".

Cerca de 500 pessoas agitando cartazes onde se lia "Barrar o fascista BNP" fizeram um protesto diante do prédio da BBC em Londres na quinta-feira. Seis pessoas foram detidas e três policiais ficaram feridos.

O BNP, que defende a repatriação voluntária de imigrantes, conquistou apoio em algumas áreas urbanas entre uma classe trabalhadora branca que sofre os efeitos da recessão, compete com imigrantes por empregos e está desiludida com os grandes partidos políticos.

Alguns comentaristas políticos chamaram a atenção para o fato de que Jean-Marie Le Pen, o veterano líder da Frente Nacional, partido de extrema-direita francês, aproveitou sua estreia na televisão num programa político francês semelhante, em 1994, para consolidar seu apoio e reconhecimento.

Fonte: Reuters

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