Escola pública

Covas adia decisão sobre volta às aulas para 3 de novembro

Prefeito de São Paulo liberou apenas atividades extracurriculares e o ensino superior em 7 de outubro. Volta às aulas vai depender de novas pesquisas sobre a covid-19

Arquivo ABR
Falta de estrutura nas escolas públicas coloca em xeque medidas de distanciamento social e deixa todos em risco

São Paulo – O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), decidiu adiar a decisão sobre a volta às aulas no ensino infantil, fundamental e médio para 3 de novembro. Em 7 de outubro, data colocada pelo governo estadual para a retomada das atividades regulares presenciais, Covas vai liberar apenas as atividades extracurriculares no ensino básico e as aulas do ensino superior. A volta às aulas regulares vai depender de novas pesquisas sobre a contaminação dos paulistanos pelo novo coronavírus. “Há possibilidade, e o receio, de um segundo pico da doença, caso essa atividade volte na cidade de uma hora para outra. É preciso ter a devida precaução com a saúde, não só dos alunos, mas dos professores e familiares”, disse Covas.

A decisão se deu após os dados do inquérito sorológico com estudantes de todas as redes – estadual, municipal e privada – indicarem que os alunos das escolas particulares têm um maior potencial de contaminação com a covid-19. Segundo a pesquisa, apenas 9,7% das crianças que estudam na rede privada já possuem anticorpos para o novo coronavírus. O valor é praticamente metade da prevalência de contaminação entre os estudantes da rede municipal: 18,4%. Na rede estadual a prevalência é de 17,2%.

O número de crianças assintomáticas para a covid-19 também foi maior entre estudantes da rede privada. Enquanto nas redes públicas, a média de crianças assintomáticas é de 65%, na rede privada o índice chegou a 70,3%. Isso indica um maior risco de proliferação da doença com a volta às aulas que não seria facilmente identificável. Além disso, o número de crianças nas redes estadual e privada que moram com idosos é equivalente ao da rede municipal, o que torna a volta às aulas um risco para os familiares em todas as redes de ensino.

As atividades extracurriculares ainda serão definidas, mas serão opcionais. As unidades de ensino e os familiares é que vão decidir se as escolas abrem e se as crianças vão frequentar essas atividades. “Vamos liberar, a partir de 7 de outubro, as atividades extracurriculares nas escolas públicas. Da mesma forma que temos a liberação de cursos livres, de música, de idiomas, será uma forma de avaliar como se comporta esse processo, sem ter de retroceder. Estamos há várias semanas com queda em número de casos, internações e óbitos. Vamos continuar com os inquéritos sorológicos, para avaliar se vamos manter essa posição ou se vai ser possível mudar isso a partir de 3 de novembro”, disse Covas.

Além disso, Covas anunciou reabertura dos 110 Centros da Criança e do Adolescente (CCA), que atendem crianças de 6 a 14 anos de idade, em áreas de alta vulnerabilidade social. A proposta é abrir 14 mil vagas para atendimento socioemocional para crianças e adolescentes que estão sendo vítimas de violência, abuso ou estão passando por problemas socioemocionais. “Temos relatos cada vez mais graves de agressão, abuso, gravidez na adolescência. Temos informações de 5 mil casos de violência doméstica. A porta de entrada será na área da saúde, mas esses equipamentos vão fazer o atendimento desses casos”, explicou Covas.

Para além da decisão de adiar a volta às aulas, a prefeitura anunciou que vai realizar uma prova geral com todos os estudantes para avaliar a perda na aprendizagem por conta da pandemia. A partir disso, será proposto um esquema de recuperação e reforço individualizado. E todos os estudantes terão “ensino integral”, com parte presencial e parte à distância.

“Os anos letivos de 2020 e 2021 serão mesclados para que se possa ter uma melhor recuperação das aprendizagens. Todos os estudantes do ensino fundamental e médio terão ‘ensino integral’. Nas escolas onde houve espaço físico, vai ser feito presencial. Nas escolas em que não houver essa possibilidade serão distribuídos equipamentos eletrônicos e planos de dados para que os alunos realizem as atividades de recuperação no contraturno, por ensino à distância”, explicou o secretário Municipal da Educação, Bruno Caetano. Segundo ele, serão distribuídos 465 mil tablets para estudantes da rede municipal, até novembro.

Quando o retorno for autorizado, Caetano disse que serão priorizados os estudantes dos anos finais de cada ciclo: 4º ano ensino fundamental I, 9º ano do ensino fundamental II e 3º ano do ensino médio.