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Suspeito de cometer ilegalidade, Moro deve se afastar, e não comandar investigação

Para Flávia Lefréve, integrante do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI) e do Intervozes, há muitas inconsistências nas informações divulgadas
Publicado por Rodrigo Gomes, da RBA
16:31
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Andre Coelho/Folhapress

Moro é o principal personagem da ação política da Lava Jato. E agora chefia a polícia que busca deslegitimar as revelações

São Paulo – O maior interessado na investigação da Polícia Federal sobre o vazamento de conversas em aplicativos de celulares de integrantes da Operação Lava Jato é justamente o chefe do órgão que realiza a apuração: o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro. Para Flávia Lefréve, membro do Comitê Gestor da Internet (CGI) no Brasil e do Coletivo Brasil de Comunicação Social (Intervozes), a situação representa um grave conflito de interesses, já que as mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil mostram que Moro e o procurador Deltan Dalagnol atuaram de forma ilegal no processo que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Quem é o maior interessado nessas apurações para desqualificar a divulgação de mensagens pelo site The Intercept? É o próprio ministro da Justiça, que hoje comanda a Polícia Federal, que realiza a investigação. Moro devia ter se afastado do cargo diante da gravidade do caso revelado pelas mensagens. Então existe aí um grave conflito de interesses. Ele se revela muito evidente quando a gente pensa que outras questões muito sérias, como os casos do ex-assessor Fabrício Queiróz ou o assassinato da vereadora Marielle Franco, não receberam a mesma prioridade”, afirmou Flávia, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

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Gustavo Henrique Elias Santos, Suelen Priscila de Oliveira, Walter Delgatti Neto e Danilo Cristiano Marques foram presos na tarde da terça-feira (23), sob acusação de terem invadido o celular de Moro e outras personalidades políticas. Não demorou para começarem a vazar depoimentos e documentos dos presos com supostas revelações de intenção de repassar as mensagens obtidas ao PT e ao Intercept Brasil, que vem revelando as mensagens desde o início de junho. Moro usou as redes sociais para comemorar as prisões e insinuar que os quatro detidos seriam as fontes do site.

“Essas quatro pessoas foram presas anteontem. Conclusões hoje, dois dias depois da prisão, são absolutamente precipitadas. Ainda mais quando a gente pensa que existe esse descompasso entre as datas. É preciso lembrar que Moro disse que deletou sua conta no Telegram em 2017”, lembrou Flávia. O Telegram já informou que as mensagens são guardadas por um ano. E os supostos hackers teriam invadido os celulares em abril deste ano.

“Quando a gente vê um juiz participando da formação das provas de um processo que ele atua, tem levado a que a PF, pautada pelo interesse privado do ministro Moro, faça essas revelações relacionando as pessoas presas com as mensagens divulgadas. O objetivo é tirar a atenção da sociedade de um fato gravíssimo: a distorção do sistema judiciário brasileiro pela atuação de um juiz e de integrantes do Ministério Público”, observa Flávia, para quem a instituição Polícia Federal é usada para esconder e desqualificar as revelações do Intercept.

Confira a entrevista completa