Inclusão

Sedes dos três poderes são iluminadas com as cores da bandeira trans

Homenagem na noite desta segunda em Brasília faz referência ao ‘Dia Nacional da Visibilidade Trans’

Pierre Triboli/Câmara dos Deputados
Pierre Triboli/Câmara dos Deputados
Iluminação especial nesta segunda homenageia do Dia da Visibilidade Trans

São Paulo – As sedes dos três poderes, em Brasília, estão sendo iluminadas na noite desta segunda-feira (29) com as cores da bandeira trans. A ação, feita em homenagem ao Dia Nacional da Visibilidade Trans, foi proposta pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) em parceria com Duda Salabert (PDT-MG), sua colega de Casa.

Além do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do STF (Supremo Tribunal Federal), as cores azul, rosa e branca também serão projetadas sobre as fachadas dos ministérios das Relações Exteriores e da Justiça e Segurança Pública. As informações são da coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

Marcha pela visibilidade trans

Travestis e Transexuais de diversas partes do Brasil se reuniram em Brasília, desde a tarde até a noite desse domingo (28), na primeira marcha pela visibilidade trans, que celebrou os 20 anos do Dia Nacional da Visibilidade Trans, em 29 de janeiro.

A “Marsha” Trans Brasil foi organizada pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e pelo Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (Ibrat). A “Marsha”, grafada com S, faz referência à ativista norte-americana Marsha P. Johnson, que era travesti e lutou pelos direitos da comunidade LGBTQIA+, entre o fim da década de 1960 e meados dos anos 1970.

As deputadas federais Erika Hilton (PSol-SP) e Duda Salabert (PDT-MG), as primeiras parlamentares federais trans do país, foram madrinhas desta marcha.

Mais espaço nas artes

“A arte pra mim é tudo”. Esta afirmação é de Divina Valéria, pioneira na arte transformista no Brasil. A artista, que trabalhou no lendário Cabaré Carrossel, em Paris, na França, completa seis décadas de carreira neste ano e narra com orgulho a trajetória na arte.  

Neste 29 de fevereiro, quando se comemora o Dia da Visibilidade Trans, ela lembra que, quando começou, usava roupas femininas somente nos palcos. Apenas quando foi para Paris, pôde se vestir conforme desejava no seu dia a dia.

“Eu assumi em 70, quando eu cheguei em Paris, a viver totalmente de mulher, totalmente minha personalidade feminina que afluía muito mais em mim.”

Para Divina Valéria, com o passar do tempo, as pessoas trans e travestis ganharam mais espaço nas artes.

“Eu tenho visto algumas, até mesmo como diretoras e tudo. Eu acho ótimo, porque tem muitas com muito talento.”

Teodoro Martins, mais conhecido como Preto Teo, é uma dessas pessoas. No entanto, o artista que trabalha com poesia desde 2016 e com produção cultural e performance desde 2018, ainda considera que a presença de pessoas trans nas artes é desvalorizada 

“Não não temos patrocínios, não temos grandes negócios com grandes marcas. São as minorias das grandes artistas que alcançaram esses lugares, mas a arte dependente transgênera resiste, persiste e hackeia todos os espaços possíveis.”

:: Mais de 10 mil pessoas transgênero já mudaram o nome e gênero desde 2018 ::

Preto Teo relata que, quando participava de um curso preparatório para o vestibular, voltado para pessoas trans, mostrou seus escritos para uma professora, que ressaltou a relevância do material. Ela indicou para Preto Teo um concurso de antologia trans, que estava com inscrições abertas. 

“Primeira antologia de poetas trans, travestis e não-binários da América Latina e a partir daí não parei mais. Em 2022 eu participei com a antologia que foi publicada na Suécia e esse foi um processo muito importante na minha carreira. Quando esse livro chegou nas minhas mãos e eu entendi que a minha arte tinha literalmente atravessado um oceano.” 

Mas, para ele, faltam oportunidades para as pessoas trans. 

“Estamos em todas as vertentes artísticas; estamos na poesia, estamos na literatura, estamos nas artes cênicas, nas artes visuais, na direção de arte, estamos na produção, estamos na graxa. Somos técnicos, somos iluminadores cada vez mais crescendo nos nossos campos, mas o que a gente precisa hoje é de oportunidades para mostrar o que a gente veio, a qualidade e excelência do nosso trabalho”.


Com informações da Agência Brasil e Folha de S.Paulo