Memória

Livro marca os 51 anos do assassinato do estudante Alexandre Vannucchi Leme pela ditadura

Segundo o autor, Camilo Vannuchi, o caso foi considerado um ‘tiro no pé’ do sistema repressivo e ajudou a fortalecer a luta por verdade e justiça no país

Reprodução/USP
Reprodução/USP
Alexandre, primo de Camilo, tinha apenas 22 anos quando foi preso, torturado e assasinado pelos agentes da ditadura

São Paulo – O jornalista e escritor Camilo Vannuchi lança nesta nesta terça-feira (7) o livro Eu só Disse o Meu Nome (Editora Discurso Direto), que marca os 51 anos do assassinato do estudante Alexandre Vannucchi Leme pela pelos agentes da ditadura. Aluno do 4º ano do curso de Geologia da USP, Alexandre tinha apenas 22 anos quando foi preso e levado para a sede do DOI-Codi na capital paulista em 16 de março de 1973. Não sobreviveu a dois dias de torturas comandadas pelo então major Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Seus pais só viriam a saber que o filho estava morto no dia 23, após a construção de uma versão oficial mentirosa, segundo a qual ele teria morrido atropelado ao fugir da polícia. E ainda foi sepultado como indigente, em uma cova no Cemitério de Perus.

Uma assembleia no Instituto de Geociências da USP naquele mesmo dia deliberou decreto de luto e greve em protesto. E também a organização de uma comissão para investigar a verdadeira causa da morte de Alexandre e a prisão de outros estudantes. Os estudantes deliberaram também a realização de uma missa, celebrada pelo arcebispo dom Paulo Evaristo Arns em 30 de março, na Catedral da Sé. Era o primeiro grande protesto desde a instauração do Ato Institucional nº 5, em dezembro de 1968.

:: Meu nome é Alexandre Vannucchi Leme e fui torturado até a morte há 50 anos

‘Modus operandi’ da ditadura alterado

Primo do estudante de Geologia da USP assassinado, o autor Camilo Vannuchi disse ao Instituto Vladimir Herzog que a repercussão do caso teve efeitos no modus operandi da ditadura. Isso porque foi a morte nos porões do DOI-Codi foi considerada um “tiro no pé” e ajudou a forjar a luta por verdade, justiça e reparação no país. Sobretudo a partir da atuação dos pais de Alexandre, os professores Egle e José, e dos advogados Mário Simas e José Carlos Dias. 

Além disso, a revolta gerada pelo assassinato impulsionou o ressurgimento do movimento estudantil. Tanto que houve a refundação do DCE-Livre da USP em 1976, batizado em homenagem a Alexandre Vannucchi Leme. Na sequência, diversas outras escolas receberam seu nome, inclusive em Sorocaba, sua cidade natal.

Recentemente, o Instituto Vladimir Herzog lançou o Podcast homônimo, que reconstitui a história do estudante, do movimento estudantil e daquela época negra da história brasileira com violações cometidas pelo estado.

Clique aqui para acessar o podcast.

Serviço:

Data: 7/5, às 19h

Local: Livraria da Travessa, Rua Visconde de Pirajá, 572, Ipanema

Redação: Cida de Oliveira



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