Prevenção

Pernambuco adota medidas mais rígidas de isolamento social

Recife e mais quatro cidades terão restrição de circulação de pessoas e carros, além de fechamento dos serviços não essenciais

Andréa Rêgo Barros/PCR
Além da capital Recife, as medidas mais rígidas valem para os múnicípios de Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe e São Lourenço da Mata

São Paulo – O governo de Pernambuco ampliou a restrição de pessoas e decretou quarentena com bloqueio total em cinco municípios da região metropolitana do Recife. As novas medidas começam a vigorar no próximo sábado (16) e vão até 31 de maio, com o objetivo de aumentar os índices de isolamento social.

Antes da determinação, as pessoas somente recebiam a recomendação de ficar em casa. O decreto do governador Paulo Câmara (PSB) restringe a circulação de pessoas e será controlada por meio da exigência de documento de identificação e finalidade essencial para a saída.

Além da capital Recife, as medidas mais rígidas valem para os municípios de Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe e São Lourenço da Mata. Pernambuco registrou mais de mil mortes e de 13 mil casos de covid-19 até agora. São Lourenço da Mata e Recife estão entre as cidades com maior mortalidade por coronavírus do país.

O governo do estado não usa a palavra lockdown, mas implementou medidas restritivas que caracterizam esse tipo de bloqueio como a restrição do trânsito de veículos e o aumento da fiscalização em estabelecimentos comerciais não essenciais que abrirem.

Enquanto uns endurecem…

Nesta última segunda-feira (11), as cidades de Niterói e São Gonçalo, ambas no Rio de Janeiro, iniciaram o lockdown, para conter o avanço do novo coronavírus na região. A radicalização do isolamento social em ambos os municípios, neste primeiro momento, será mantida feita até a próxima sexta (15).

O lockdown já foi adotado em 18 cidades do país. No Pará, Belém e mais nove cidades estão com bloqueio total. O estado do Maranhão adotou o modelo a capital, São Luís, e mais três cidades da região metropolitana.

Já no Ceará, Fortaleza adotou o plano mais rígido. No estado do Amazonas, passou a vigorar na cidade de Tefé. Os municípios Guia Lopes da Laguna (MS) e Barbacena (MG) também estão com bloqueio total.

Outros flexibilizam

O governo do Rio Grande do Sul começou a adotar, também nesta segunda, o modelo de reabertura econômica baseado no distanciamento controlado. De acordo com a secretaria estadual da Saúde, já são 105 óbitos em decorrência da covid-19, além de 2.808 infectados no estado.

Algumas medidas são gerais e devem ser obedecidas por todos os moradores de qualquer cidade, como a adoção de máscaras que protejam as vias respiratórias e o afastamento entre as pessoas por cerca de dois metros de distância.

Entretanto, o governo restringe o funcionamento de atividades conforme a cor da bandeira de cada uma das 20 regiões. Nesta semana, por exemplo, apenas a região de Lajeado está com bandeira vermelha.

Não é o momento

O Comitê Científico de Combate ao Coronavírus, do Consórcio do Nordeste, publicou um estudo, nesta segunda-feira, para explicar por que ainda não se deve flexibilizar o isolamento social, principalmente em Minas Gerais.

O boletim traz estudos que demonstram que a flexibilização prematura das políticas de isolamento social traz como consequência o aumento da taxa de transmissão do vírus na comunidade.

O estudo ainda cita os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) que devem ser cumpridos antes de se começar a afrouxar gradativamente as medidas de controle de movimentação da população. Entre eles, está o controle da transmissão do vírus.

De acordo com o comitê, além da transmissão não estar controlada, o país apresenta subnotificações de casos, há falta de testes e de engajamento da população sobre as medidas preventivas e faltam políticas de prevenção por parte do governo federal.

“Avaliamos que é necessário mais tempo para que a flexibilização das medidas de isolamento se faça com segurança para a população. Precisamos de muita paciência e muita colaboração entre os diversos setores da nossa sociedade”, diz o texto.