Bloqueio total

Pará inicia ‘lockdown’ em 10 cidades a partir desta quinta

Medida começa de forma ‘educativa’ até o próximo domingo (9). Depois, serão aplicadas punições em caso de descumprimento

BINÉ MORAIS/PREF. SÃO LUÍS
Maranhã iniciou o lockdown nesta terça (5). Só no primeiro dia da medida, a circulação de veículos caiu 60%

São Paulo – O Pará vai ser o segundo estado brasileiro com cidades nas quais vigora o chamado lockdown. O governador Helder Barbalho (MDB) anunciou ontem (5) decreto que determina o bloqueio total em 10 municípios a partir desta quinta-feira (7). A medida mais dura tem o objetivo de aumentar o isolamento social.

A medida começa a ser adotada de forma ‘educativa’ até o próximo domingo (9). Depois, serão aplicadas punições em caso de descumprimento. O Pará já confirmou 7.456 casos e 375 mortes provocadas pelo novo coronavírus.

O lockdown mantém somente serviços essenciais funcionando e limita a circulação de pessoas nas vias públicas. As 10 cidades onde o bloqueio será aplicado são Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides, Castanhal, Santa Bárbara do Pará, Santa Izabel do Pará, Vigia, Santo Antônio do Tauá e Breves.

No início de maio, a capital paraense concentrava mais de 60% das mortes no estado – e boa parte é de profissionais da saúde. A rede municipal de atendimento hospitalar também dá sinais de colapso e já atinge o limite de internações em UTIs, quando mais de 80% dos leitos clínicos estão ocupados.

Maranhão

O Maranhão foi o primeiro estado a decretar o lockdown, válido para a região metropolitana de São Luís desde ontem. O decreto foi assinado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) e tem validade de 10 dias.

A determinação favorável ao lockdown é amparada em parecer da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O órgão de pesquisa apontou que o Maranhão é o estado com maior ritmo de crescimento no número de mortos pela covid-19 no país. Na segunda-feira (4), chegou a 4.530 pessoas infectadas e 271 mortes, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES) – e 96,89% dos leitos de UTIs em São Luís estão ocupados.

De acordo com a prefeitura da capital maranhense, só no primeiro dia da medida, a circulação de veículos caiu 60%. O número de passageiros nos transportes públicos da capital também teve uma queda de 80%.

“Apresentei mais cedo balanço parcial positivo da redução do fluxo de veículos nas avenidas de São Luís no primeiro dia de lockdown. Fechamos há pouco o relatório completo da SMTT que traz dados ainda mais otimistas: cerca de 60% a diminuição do tráfego nas últimas 24 horas”, publicou o prefeito Edivaldo Holanda Junior (PDT).

No primeiro dia, a fiscalização na capital foi firme. A polícia militar montou 30 barreiras de circulação na cidade, onde bloqueios tiveram como foco as áreas que dão acesso a regiões de maior circulação.

Possível lockdown em Pernambuco

Ainda nesta terça, o Comitê Científico do Consórcio Nordeste publicou boletim recomendando aos governadores da região a aderirem o lockdown quando “os números de leitos hospitalares tenham superado 80% de ocupação e, ao mesmo tempo, a curva de casos e de óbitos seja ascendente”.

Atualmente, Pernambuco possui 99% dos seus leitos de UTIs da rede pública estadual e 88% de suas enfermarias em utilização. O governador Paulo Câmara (PSB) vem analisando medidas de endurecimento do isolamento e a aplicação de bloqueio geral.

A primeira medida adotada para tentar diminuir o número de contaminações será acabar com a aglomeração em locais como bancos, em especial na Caixa Econômica Federal, que tem registrado filas extensas por conta do recebimento do auxílio emergencial. Caso não diminua, o estado deve organizar o lockdown, até o próximo final de semana.

Pernambuco registrou, até ontem, 9.325 casos confirmados do novo coronavírus. Ao todo, 749 pessoas morreram. De acordo com dados das últimas 24 horas, o estado teve 58 mortes e 462 novos casos de covid-19 no período.

“O lockdown é eficaz para reduzir a curva de casos e dar tempo para reorganização do sistema. É sabido que países que o implementaram, conseguiram sair mais rápido do momento mais crítico”, diz o boletim do Consórcio Nordeste.