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Promotores acusam Yeda de tentativa de intimidação

Em nota à imprensa, Associação do Ministério Público do RS defende promotor que pediu vistoria dos veículos da Casa Militar gaúcha
por Thalita Pires, da RBA publicado , última modificação 15/09/2010 18h50
Em nota à imprensa, Associação do Ministério Público do RS defende promotor que pediu vistoria dos veículos da Casa Militar gaúcha

Rio de Janeiro - A Associação do Ministério Público (AMP) saiu em defesa da classe depois que a governadora e candidata à reeleição Yeda Crusius (PSDB) afirmou, pelo Twitter, que os promotores públicos gaúchos cometem abusos. A declaração aconteceu após o promotor Amilcar Macedo, portando ordem judicial, tentar vistoriar os veículos da Casa Militar para apurar a suspeita de que o sargento César Rodrigues de Carvalho usaria os carros para praticar extorsão.

A polêmica começou na segunda-feira (13), quando Macedo chegou à Casa Militar. O promotor esperou uma hora até poder ingressar no local. Quando finalmente foi admitido, havia repórteres acompanhando sua ação. Logo em seguida, a governadora postou suas críticas na internet.

Yeda afirmou que havia determinado à Procuradoria Geral do Estado a apuração dos erros funcionais de agentes do Tribunal de Justiça e do Ministério Público Estadual, pois os "abusos" trariam insegurança para os cidadãos. No dia seguinte, Crusius reclamou da presença dos jornalistas. "Tem que terminar essa história de chamar coletiva para coisas de sigilo", afirmou, em evento na Câmara da Indústria, Comércio e Serviços de Canoas.

A AMP considerou a conduta da governadora uma "manobra intimidatória", já que o promotor agia em cumprimento a uma ordem judicial. A associação estuda, inclusive, a possibilidade de tomar medidas judiciais para proteger a ação do Ministério Público.

Além disso, a nota esclarece que o promotor não convocou a imprensa para a vistoria: os repórteres estariam no local por conta da troca de comando da Casa Militar, que ali ocorria.

Entenda o caso

O sargento César Rodrigues de Carvalho, ex-funcionário da Casa Militar do governo gaúcho, é suspeito de usar o Sistema de Consultas Integradas do estado para espionar e extorquir proprietários de caça-níqueis na cidade de Canoas.

Além disso, sua senha pessoal foi usada para acessar os dados de integrantes da oposição ao governo estadual. As investigações sobre os responsáveis pelas quebras de sigilo ainda estão em curso, mas há evidências de que o gabinete de Yeda conhecia o esquema de quebra de sigilos.

No debate realizado na terça-feira (14) entre os candidatos ao governo do Rio Grande do Sul, Yeda foi questionada sobre o escândalo envolvendo a espionagem de adversários. "Desde o início do nosso governo temos dado abertura para investigações e tomado decisões que outros não tomaram, que esconderam debaixo do tapete e que nós fizemos questão, pela transparência, de mostrar", disse.

Leia as mensagens  postadas no dia 13 por Yeda Crusius no Twitter:

18h09 determinei radical mudança na casa militar do palácio piratini. c/ essa mudança se vão hábitos de décadas q desprotegem o governante.

18h12 o hábito do cachimbo entorta a boca do dono. de novo paiani ñ, quem o usa p/ compor scripts de entrevista sabe dos seus hábitos desonestos.

18h14 qto mais se mexer nesse lodaçal de submundo de poder, + se vê o qto perturbei o q estava debaixo do tapete do poder:

18h15 qdo a informação de governo corre de modo transparente, os deslocados q atuam do velho jeito ensandecem. afinal...

18h17 ... fica clara a troca de favores c/ certos segmentos de imprensa e os atores desse submundo q teima em gravitar em torno do poder. xô!

18h33 determinei à procuradoria geral do estado as ações cabíveis p/ representar contra erros funcionais de agentes do mpe e do tj.

18h34 os abusos de promotores do minis.públ. estadual ou mesmo de agente do tribunal de justiça colocam insegurança aos cidadãos.

18h35 cenas preparadas e programadas, c/ ações espetaculosas acompanhadas por dezenas de repórteres e câmeras de tv têm q ter um basta.

18h36 ou é despreparo desses agentes, ou a "síndrome dos holofotes" anda se espalhando como epidemia. as instituições devem agir!