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Samba de Antonio Nóbrega, poesia da sobrevivência e indíos Ãwa nas telas

Nóbrega viaja pela história do samba no Auditório Ibirapuera. 'Outros Jeitos de Usar a Boca' trata com poesia sobre violência, abuso, amor e feminilidade. 'Taego Ãwa' investiga trajetória de indígenas
por Xandra Stefanel, especial para a Revista do Brasil publicado 11/05/2017 15h36, última modificação 11/05/2017 16h28
Nóbrega viaja pela história do samba no Auditório Ibirapuera. 'Outros Jeitos de Usar a Boca' trata com poesia sobre violência, abuso, amor e feminilidade. 'Taego Ãwa' investiga trajetória de indígenas
Silvia Machado/Divulgação
Nóbrega

O violinista, dançarino e cantor Antonio Nóbrega passeia pela história do principal gênero musical brasileiro

Semba no Ibirapuera

O artista pernambucano Antonio Nóbrega leva ao Auditório Ibirapuera neste sábado (13, às 21h) e domingo (14, às 19h) o show Semba, que apresenta o rico universo de um dos principais ritmos brasileiros. No espetáculo, o violinista, dançarino e cantor, ao lado de músicos e bailarinos, passeia pela história do samba desde suas formas mais primordiais, envereda pelos batuques regionais, pelas transformações pelas quais o gênero passou e também pelos diferentes sentidos da palavra. Com nome que remete à umbigada em língua banto, o show relembra e homenageia grandes nomes do ritmo, como Noel Rosa, Geraldo Pereira, Ismael Silva, Dorival Caymmi, Paulinho da Viola e Chico Buarque.

Criei o espetáculo com o desejo tanto de apresentar as músicas de compositores que marcam a presença do gênero no país – certamente o mais cultivado pelos nossos músicos – quanto de mostrar quão vasta é a semântica do mundo do samba”, afirma o artista em sua página no Facebook. “Muitas das nossas manifestações populares ainda são denominadas samba tanto por causa da presença da umbigada – sinônimo de semba na língua africana banto e raiz da palavra samba – como pelo caráter de festa, brincadeira, cantoria etc. que elas guardam”, complementa Nóbrega.

Show Semba, de Antonio Nóbrega
Quando: sábado, dia 13, às 21h, e domingo, 14, às 19h
Onde: Auditório Ibirapuera, em São Paulo
Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n – Portão 2 do Parque do Ibirapuera
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Duração: 
90 minutos
Classificação indicativa:
livre
Capacidade: 806 lugares
Mais informações: www.auditorioibirapuera.com.br / (11) 3629-1075

 

Poesia feminista

Violência de gênero, relacionamentos abusivos, maternidade, perdas, feminilidade, empoderamento, volta por cima, autoconhecimento… Tudo isso e muito mais compõem a poesia de Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia. Seu livro Outros Jeitos de Usar a Boca (Editora Planeta, 208 págs.) foi oficialmente lançado no Brasil nessa quarta-feira (10), no Espaço Revista Cult, em São Paulo.

Originalmente publicado de forma independente, o livro ficou por mais de quarenta semanas no topo das listas de best-sellers e foi considerada um dos maiores fenômenos de poesia nos EUA na última década. Trata-se de uma delicada obra poética sobre a sobrevivência que leva o leitor para uma intensa jornada pelos momentos mais amargos da vida de uma mulher.

O livro, que também traz ilustrações de Rupi, é dividido em quatro partes, cada uma com um propósito diferente: a dor, o amor, a ruptura e a cura são os motes que acabam montando um mosaico sobre a condição feminina atual.

 

Índio Ãwa Luta indígena

Estreia nesta quinta-feira (11) pela Sessão Vitrine Petrobras o documentário Taego Ãwa, um longa-metragem dos irmãos Henrique e Marcela Borela que mistura registros recentes e antigos para contar a trajetória dos índios Ãwa. Os diretores encontraram em uma faculdade cinco fitas VHS com registros dos índios que são mais conhecidos como Avá-Canoeiros do Araguaia. Em seguida, eles acharam outros materiais e foram ao encontro daquele povo para investigar a origem e a trajetória dos Ãwa até os dias atuais.

Os enfrentamentos com os brancos, o histórico de reclusão, a luta por demarcação de território e pela restituição das terras são alguns dos temas que vêm à tona na obra. Segundo Marcela Boreli, inicialmente, os Ãwa não aceitaram o projeto para participar do longa-metragem.Queríamos que o filme partisse do gesto de devolver aos Ãwa aquelas imagens de arquivo que narravam 40 anos de seu desterro e cativeiro, em busca de justiça. Aquelas pessoas tinham sido filmadas demais e fotografadas demais, numa redoma de um discurso de extinção, invisibilidade e animalidade que nos chocava. De certa maneira, carregávamos uma revolta. Descobrimos que eles estavam reivindicando Taego Ãwa, a terra tradicional, depois de quarenta anos de silêncio. Foi nessa primeira visita à Ilha em 2011. Ali, propusemos o filme, mas eles estavam desconfiados. Estavam sofrendo retaliações por estarem encorajados em voltar à terra”, lembra a diretora.

Seis meses depois da nossa primeira visita, os Ãwa entraram em contato conosco e disseram que eles queriam que o filme fosse feito. Aí, nós fomos novamente à Canoanã, na Ilha do Bananal, em 2012, quando tratamos do filme e de como ele seria. Decidimos ali que seria sobre a terra, que se chamaria Taego”, declara Henrique.

Premiado em vários festivais de cinema, Taego Ãwa foi feito em uma parceria entre as produtoras Barroca e F64 filmes com a Associação do Povo Ãwa – APÃWA, entre outras instituições. Confira datas, horários e locais de exibição no site do projeto Sessão Vitrine Petrobras.

Taego Ãwa
Direção e roteiro: Henrique Borela e Marcela Borela
Produção executiva: Marcela Borela e Belém de Oliveira
Fotografia: Vinícius Berger
Câmera adicional: Carlos Cipriano
Montagem: Guile Martins
Direção de produção: Camilla Margarida
Produção: Carlos Cipriano
Edição de som e mixagem: Belém de Oliveira
Pós-produção: Sierra Filmes