Festival de cinema

Filme ‘Lula’ dirigido por Oliver Stone vai estrear em Cannes

Obra do premiado diretor norte-americano retrata do período da prisão de Lula pela Lava Jato, em 2018, à sua redenção, em 2022, quando foi eleito presidente pela terceira vez

Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Filme de Oliver Stone que estreia em Cannes vai tratar da perseguição a Lula

São Paulo – O aguardado documentário Lula, do premiado cineasta norte-americano Oliver Stone, vai fazer sua estreia no Festival de Cannes. Uma das mostras mais importantes do cinema mundial, o festival anunciou nesta segunda-feira (22) a inclusão da obra sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Fora da mostra competitiva, o filme fará parte das Sessões Especiais do evento francês, que ocorre de 14 a 25 de maio.

Stone finalizou o documentário sobre Lula no final de março. Sua produção começou em 2021, e chegou a sofrer uma interrupção, quando Lula contraiu covid-19 durante as filmagens em Cuba. A obra retrata o período que vai prisão do então ex-presidente pela Lava Jato em 2018, à sua volta ao poder, em 2022, após vencer as eleições pela terceira vez.

Em entrevista à agência AFP no mês passado, Stone comentou sobre o líder brasileiro. “Puseram o Lula na cadeia, ele foi libertado e ganhou as eleições. É uma história boa, mas as pessoas não a conhecem, exceto no Brasil”, afirmou ainda. Ele ainda ressaltou a “perseguição judicial” da qual Lula foi alvo. “Acho que o conceito de perseguição judicial se expandiu por todo o mundo, e tem sido usado para fins políticos, como uma arma. Foi o que fizeram com Lula”.

Cinema engajado

Stone é vencedor de Oscars de melhor diretor com os filmes Platoon – sobre a guerra do Vietnã – e Nascido em 4 de Julho, que conta a história de um veterano de guerra que se converte em ativista dos direitos humanos. Além disso, ele também já presidiu o júri do Festival de Cannes, apresentando filmes dentro e fora da competição.

Anteriormente o diretor se dedicou a produzir o documentário Ucrânia em Chamas, do cineasta ucraniano Igor Lopatonok. A obra trata das raízes históricas do nacionalismo no país para contar como se desenrolaram os embates que culminaram com o golpe que depôs o presidente Viktor Ianukovytch, em fevereiro de 2014. E que acabaram desencadeando o atual conflito com a Rússia.

Além disso, em Snowden: herói ou traidor, Stone retratou a trajetória do analista de sistemas Edward Joseph Snowden, que trabalhou no órgão de inteligência dos Estados Unidos, a CIA, e na agência nacional de segurança, a NSA. A obra mostra como as autoridades norte-americanas promoveram espionagem generalizada ao redor do planeta, sob pretexto de combater o terrorismo.

Em 2017, ele também dirigiu As entrevistas de Putin – série de 12 entrevistas com o presidente russo. Do mesmo modo, também já realizou documentários sobre Fidel Castro e Hugo Chávez.

Relação com Lula

Em 2016, no auge da perseguição da Lava Jato, Stone esteve no Brasil para lançar o filme sobre Snowden. Na ocasião, ele aproveitou a viagem e entrevistou Lula para o canal Nocaute, do jornalista e biógrafo Fernando Moraes. O então ex-presidente relatou ao cineasta as “combinações perfeitas” que levaram ao golpe contra Dilma Rousseff e a criminalização do PT. Lula desnudava, assim, a trama que posteriormente acabaria por encarcerá-lo.

Ainda em janeiro de 2018, o cineasta assinou o Manifesto Eleição sem Lula é fraude, que denunciava a perseguição que culminaria em prisão poucos meses depois. Também ratificavam o documento o argentino Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz, os ex-presidentes Cristina Kirchner (Argentina), Ernesto Samper (Colômbia), Rafael Correa (Equador) e Pepe Mujica (Uruguai), dentre outras lideranças internacionais.



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