Perigo

Sindicato registra morte de 16 trabalhadores da saúde pela covid-19 em São Paulo

Do total, 14 são trabalhadores da saúde da prefeitura de São Paulo e dois do governo estadual. Governos não contabilizam servidores doentes ou mortos

Edi Sousa/Sindsep
Trabalhadores já realizaram protestos por melhores condições na rede de saúde e em memória dos trabalhadores mortos

São Paulo – O Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep) registrou a morte de, ao menos, 16 trabalhadores do setor pela covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, sendo 14 da prefeitura de São Paulo, administrada por Bruno Covas (PSDB), e dois do governo estadual, gerido por João Doria (PSDB). Segundo a direção do Sindsep, as informações foram coletadas por meio dos registros de colegas, amigos e familiares, nas redes sociais e em veículos de imprensa.

Os trabalhadores protestaram ontem (12), na Avenida Paulista, exigindo melhores condições de trabalho para a categoria, equipamentos de proteção individual (EPI) em quantidade suficiente para as equipes e disponibilidade de testes para confirmação de casos de coronavírus entre os trabalhadores.

“A prefeitura (e o governo de São Paulo) seguem incapazes de viabilizar uma listagem oficial dos trabalhadores doentes e com suspeita de estarem com a covid-19. Do mesmo modo, não possuem um painel dos óbitos entre os profissionais da saúde pública. Reafirmamos que a condução do enfrentamento à crise por parte da administração Bruno Covas e do secretário da saúde, Edison Aparecido, tem se pautado pelo descaso e pela enrolação na solução da crise dos EPIs. Esse fato se acumula com a ausência de testagem sistemática dos profissionais da saúde para contaminação do coronavírus”, diz o Sindsep.

Há semanas o sindicato vem denunciando a falta de EPI para os trabalhadores da saúde, que acabam sendo obrigados a reaproveitar parte dos equipamentos, utilizar sacos de lixo como avental, atuar sem máscara de proteção, entre outros problemas, no atendimento a pacientes suspeitos ou confirmados de coronavírus – colocando suas próprias vidas em risco. Além de máscaras, luvas, álcool em gel, também estão em falta os protetores faciais, toucas cirúrgicas e demais itens de proteção para o corpo. Aventais e macacões impermeáveis não têm sido recebidos em número suficiente para estes profissionais.

Pesquisa realizada pelo sindicato revelou que 62% dos trabalhadores da saúde afirmam não ter acesso à máscara do tipo N95, e ainda enfrentam a falta de máscaras cirúrgicas (52%). Além disso, não há álcool para 70% dos profissionais e avental, para 30%. Ao mapear as condições de segurança de trabalho, a pesquisa mostrou que a possibilidade de contaminação é ainda maior para os servidores do grupo de risco da covid-19, que são quase um terço dos funcionários públicos, considerando apenas aqueles que têm 60 anos ou mais.

Apenas na segunda quinzena de março, o serviço de saúde da capital paulista perdeu 559 trabalhadores, por diversos motivos de saúde. Não há informações sobre casos de coronavírus entre os profissionais de saúde afastados, mas o aumento do número de licenças bate com o período de avanço da epidemia em São Paulo.

Considerando apenas os 11 hospitais geridos pela Autarquia Hospitalar Municipal (AHM), foram 154 servidores da saúde afastados no período. Os dados foram organizados pelo Sindsep e se referem aos hospitais municipais, prontos-socorros, Unidades de Pronto Atendimentos (UPAs) e a sede da autarquia.

O governo Covas não se manifestou sobre a morte de servidores.

Trabalhadores da saúde mortos em casos confirmados ou suspeitos de covid-19:

  • Gloria Souza, técnica de enfermagem do Hospital Municipal da Cidade Tiradentes;
  • Juraci Augusta da Silva, de 72 anos, auxiliar de enfermagem no Hospital Municipal Carmino Caricchio;
  • Idalgo Moura dos Santos, de 45 anos, enfermeiro, funcionário da Organização Social de Saúde (OSS) SPDM, trabalhava no Hospital Municipal Carmino Caricchio;
  • Eduardo Gomes da Silva, de 48 anos, auxiliar de enfermagem no Hospital Tide Setúbal, funcionário da OSS SPDM;
  • José Alves Galdino da Silva, 38 anos, trabalhador terceirizado da vigilância do Hospital Municipal Dr. Benedicto Montenegro;
  • Paulo Fernando Moreira Palazzo, 56 anos, médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU);
  • Marceliane Maciel, de 53 anos, servidor da Unidade Básica de Saúde (UBS) Sacomã;
  • Luzanira Odílio, de 61 anos, auxiliar de enfermagem do Hospital Municipal do Campo Limpo;
  • Maria Elisa Reis de Oliveira, 66 anos, auxiliar de enfermagem da UBS Jardim Peri;
  • Ângela Maria Salomão, 64 anos, agente comunitária de saúde na UBS Jardim Guairacá;
  • Jaime Takeo Matsumoto, médico ortopedista do Hospital Municipal Tide Setúbal;
  • Adélia Maria Araújo de Almeida Oliveira, médica pediatra do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus;
  • Maria Santos, enfermeira do Hospital Municipal de Pirituba e do Hospital Estadual do Mandaqui;
  • José Antônio da Boa Morte, técnico de enfermagem em uma empresa de ambulâncias que atendia o serviço de saúde de São Paulo;
  • Elisangela Ferreira, técnica de farmácia AME Maria Zélia (trabalhadora da saúde estadual);
  • Carlos Rogério de Carvalho, técnico em enfermagem do Hospital Estadual do Mandaqui (trabalhador da saúde estadual).