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País precisa de acordo sobre saúde, produção e emprego, diz Toffoli após reunião com centrais

Presidente do STF afirma que qualquer solução, para ser eficaz, precisa sair de negociação. Sindicalistas insistem em fundo de emergência

Rosinei Coutinho/SCO/STF
Depois de se reunir com empresários, presidente do STF conversou com sindicalistas e disse apoiar a criação de um fundo que garanta manutenção de trabalho e renda durante esse período

São Paulo – “Há uma unidade de sentido que é a defesa da saúde aliada à defesa do emprego e do parque produtivo, já que este último não tem interesse em perder o capital humano acumulado”, afirmou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, depois de reunião virtual com dirigentes das centrais sindicais, nesta quinta-feira (26). Três dias antes, ele conversou com representantes setor empresarial.

“Nesse momento de dificuldade para todos os brasileiros, o Estado precisa propor soluções de auxílio aos diversos setores da sociedade para a economia continuar girando”, acrescentou Toffoli, favorável à criação de um “comitê técnico gestor” para centralizar decisões e estabelecer protocolos. Segundo ele, as soluções precisam ser resultado de acordo para se manter. A reunião incluiu CUT, Força Sindical, CTB, UGT e Nova Central.

De acordo com o presidente da CUT, Sérgio Nobre, o ministro “concordou que não há coordenação das ações para enfrentar a crise que estamos vivendo”. Disse ainda apoiar a criação de um fundo que garanta manutenção de trabalho e renda durante esse período, como propõem as centrais.

Pacotes de estímulo

Ainda pelo relato do dirigente, Toffoli afirmou ser contra negociações individuais e que só os sindicatos têm legitimidade para celebrar acordo. Caso as negociações no Congresso não avancem, o presidente da CUT informou que o presidente da STF se comprometeu a levar a plenária uma ação direta de inconstitucionalidade contra a Medida Provisória (MP) 927. “É uma medida desastrosa neste momento, inclusive do ponto de vista da retomada econômica no futuro”, afirmou Sérgio Nobre.

Em vídeo, o sindicalista disse que enquanto o “receituário neoliberal” do ministro da Economia, Paulo Guedes, se mostra ineficaz, em países como Alemanha e Estados Unidos estão sendo aprovados pacotes de apoio a trabalhadores e empresários. “Aqui, o desgoverno de Bolsonaro nada apresentou e voltou a atacar prefeitos e governadores.”

Nobre defende o pagamento emergencial de pelo menos um salário mínimo “a 50 milhões de brasileiros, que estão desempregados, na informalidade ou trabalham por aplicativo”. É preciso preservar os empregos, a renda e o sistema produtivo, ressaltou. “Se tivesse um mínimo de bom senso, de responsabilidade, Bolsonaro renunciaria.”