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São Paulo avança à fase vermelha, mas mantém toque de recolher e suspensão de cultos

Redução de internações por covid-19 sustentou avanço para fase vermelha, mas 11 regiões do estado ainda estão com mais de 90% de ocupação de UTI

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Nova fase vermelha terá toque de recolher e suspensão de cultos presenciais, mas vai liberar o Paulistão e as aulas presenciais

São Paulo – O estado de São Paulo vai avançar para a fase vermelha da quarentena a partir da próxima segunda-feira (12), após quatro semanas na fase emergencial. A nova fase não traz flexibilizações significativas, com funcionamento apenas de serviços essenciais. Além disso, algumas estratégias da fase mais restrita serão incorporadas na nova fase, como o toque de recolher entre 20h e 5h, a suspensão de cultos religiosos e o home office para atividades administrativas. Houve uma redução nas novas internações, porém 11 regiões do estado ainda estão com mais de 90% dos leitos de unidade de terapia intensiva (UTI).

A fase vermelha em São Paulo vai valer, inicialmente, até dia 18 de abril, mas a expectativa é que ela fique em vigor até o final do mês, como explicou o coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, Paulo Menezes. “Avaliamos que essa queda nos índices vai seguir nas próximas semanas. Acredito que na virada de abril para maio, terá condições de avançar algumas regiões, cujos índices estiverem melhores, para a fase laranja”, disse.


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Na fase vermelha, os serviços não essenciais, como shoppings, lojas de departamentos e restaurantes, não podem receber clientes, mas pode atender em esquema de retirada, com compras por aplicativos de mensagem ou telefone. As lojas de material de construção também podem abrir nessa fase. Com isso, os funcionários desses estabelecimentos voltam a circular nessa fase, o que pode levar a uma maior contaminação de pessoas.

O governo de São Paulo também manteve a recomendação de escalonamento de horários de entrada e saída para trabalhadores da indústria, serviços e comércio durante a fase vermelha. Os horários indicados são das 5h às 7h para entrada e das 14h às 16h para saída de profissionais da indústria; entrada das 7h às 9h e saída das 16h às 18h para os de serviços; e entrada das 9h às 11h e saída das 18h às 20h para os do comércio. No entanto, no início da fase vermelha anterior, a RBA mostrou que a proposta foi ignorada e os ônibus seguiram lotados.

O Campeonato Paulista de futebol também será autorizado a retomar as atividades. As aulas também serão retomadas, mas com a frequência presencial opcional aos estudantes. As atividades vão ter início no dia 14 de abril e manterão os limites de 35% dos estudantes por escola. Segundo o secretário de Estado da Educação, Rossieli Soares, as atividades remotas também retornam no dia 14. Estudantes com defasagem de aprendizagem, que necessitem da merenda escolar ou que os pais trabalhem em serviços essenciais terão prioridade em uma eventual volta.

Situação demanda fase vermelha

Segundo o governo paulista, a taxa de crescimento das internações de pessoas com covid-19 se tornou negativa nos últimos dias. O que significa que saíram mais pessoas do que entraram. Nos últimos sete dias, a queda no número de novas internações é de 14,7%. Os dados mostram que houve um crescimento continuo das internações até uma semana depois do início da fase vermelha e que a tendência começou a mudar cinco dias depois da implementação da fase emergencial – que começou no dia 15. O que mostra como medidas de restrição de circulação são essenciais para conter o avanço da pandemia.

Após mais de um mês de restrições, o número de pessoas internadas com covid-19 em São Paulo finalmente caiu: de 31.175, no dia 31 de março, para 28.127, hoje. Destas, 12.681 estão em UTI e 15.446 em enfermarias. Os recordes de pacientes internados foram de 18.214, em enfermarias, atingido no dia 31 de março, e de 13.098, em UTI, atingido no dia 3 de abril. Proporcionalmente, a redução de pacientes em UTI é menor. A média de internações diárias hoje é de 2.796 e o número apresenta uma tendência de alta nos últimos três dias.

A taxa de ocupação de UTI no estado está em 88,3%. Mas, das 17 regiões do estado, 11 estão com a ocupação de UTI acima de 90%: Araçatuba (90,7%), Araraquara (93,4%), Barretos (98,3%), Bauru (92,6%), Franca (91,3%), Marília (94,4%), Presidente Prudente (98,1%), Ribeirão Preto (90,3%), São João da Boa Vista (94,2%), São José do Rio Preto (92,3%) e Sorocaba (90,3%). As demais estão acima de 84% de ocupação de UTI: Baixada Santista (87,6%), Campinas (86,6%), Grande São Paulo (87,2%), Piracicaba (89,8%), Registro (84%) e Taubaté (84,6%). Todos os índices são de fase vermelha.


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O número de novos casos registrados por dia apresentou uma leve queda, mas segue entre os mais elevados de toda a pandemia. Nesta sexta-feira, a média móvel está em 14.400 novos casos por dia. Já o número de novas mortes segue em alta e deve continuar assim por duas semanas, segundo explicou o coordenador do Comitê. Isso ocorre por que o tempo de evolução da doença é longo e as pessoas chegam a ficar, em média, 16 dias internadas. Hoje a média de mortes é de 684 por dia.


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