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Com 1.280 mortos em 24 horas, Brasil se aproxima de 60 mil vítimas da covid-19

O mês de junho chega ao fim com 59.594 mortos e 1.402.041 infectados, em quatro meses, pelo novo coronavírus. Curva de casos segue em crescimento

Legado Lima 2019
Sem evidências de controle da pandemia de covid-19, isolamento social segue como recomendação

São Paulo – Com mais 1.280 vítimas da covid-19 registradas nas últimas 24 horas, o Brasil se aproxima das 60 mil mortes causadas pelo novo coronavírus. O mês de junho termina com 59.594 mortos e 1.402.041 doentes desde o início do surto, em março. Os números divulgados hoje (30) são do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

A pandemia é a mais grave crise sanitária do mundo em 100 anos. Entretanto, o governo Bolsonaro não tomou ações preventivas nem de cuidados com a população. O presidente chegou a ridicularizar a doença, chamou de “gripezinha” e disse que o número de mortos seria inferior ou igual ao do surto de H1N1, entre 2009 e 2010.

Para efeitos de comparação, em um período de um ano, o H1N1 deixou 60 mil brasileiros infectados e cerca de 2 mil mortes. Em menos de quatro meses, o número de vítimas da covid-19 é mais de 30 vezes maior.

A América Latina foi afetada pelo vírus com um atraso, em comparação com China (primeiro epicentro), Europa e Estados Unidos. O tempo de estudo de impacto das experiência globais, defendem epidemiologistas, foi desperdiçado pelas autoridades brasileiras. Teria sido suficiente para a elaboração de políticas públicas sanitárias que ampliasse o poder de controle da disseminação do vírus. E do número de mortes.

Fator Bolsonaro

Hoje, o Brasil tem mais casos e vítimas da condi-19 do que todos os países latino-americanos somados. Na prática, a pandemia se desenvolve descontrolada, com baixa realização de testes e sem medidas eficazes de controle. “Um fato que contribui (para o cenário) é que somos um dos poucos países que não fazem rastreio de contatos”, afirma o biólogo e divulgador científico Átila Iamarino.

Contribui também a ingerência no órgão de Estado que deveria ser o responsável por centralizar e coordenar ações no país. O Ministério da Saúde, durante o período da pandemia, já passou por dois ministros e, hoje, é comandado interinamente por um militar sem experiência com a área.

Bolsonaro demitiu Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich após divergências na condução da pasta. Enquanto os ex-ministros defendiam, minimamente, uma visão técnica da pandemia, o presidente despreza a ciência e as melhores práticas de controle sanitário. “Provavelmente somos o único país sem ministro da Saúde”, diz Átila.

Estabilidade relativa

A Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a reconhecer a diminuição na velocidade da pandemia no Brasil. Entretanto, recomendou cuidados e a manutenção do isolamento social (que nunca foi aplicado de forma severa). Agora, muitos estados e cidades relaxam as fracas medidas impostas, especialmente nos meses de abril e maio.

O resultado é o aumento expressivo da curva de contágio. Já a curva de mortos segue em uma tendência de estabilidade. A explicação pode estar na menor quantidade de testes em regiões afetadas inicialmente, no Norte do país. “A explicação que acho possível é o aumento de testes e queda de mortes em áreas que mal testavam, como o Amazonas. Se for o caso, é outro sinal de que já tivemos muito mais casos do que o registrado”, diz Átila.

Curva de mortes, com estabilidade frágil, em comparação com curva ascendente de infectados. Fonte: Conass