eleições 2020

Apoio de Bolsonaro derrete campanha de Russomanno em São Paulo

Em setembro, Datafolha apontava que 64% dos paulistanos não votariam em um candidato de Bolsonaro em hipótese nenhuma. Cenário atual confirma a tendência

Cleia Viana/Câmara dos Deputados - Marcos Corrêa/PR
Apenas 11%, um em cada dez eleitores, votariam no indicado pelo presidente

São Paulo – O derretimento de Celso Russomanno  (Republicanos) e o aumento de sua rejeição, mostrados pelo Datafolha em pesquisa divulgada nesta quinta-feira (22), eram previstos por analistas e apareceriam na medida em que o apoio do presidente Jair Bolsonaro ao candidato fosse se tornando claro para a opinião pública. Russomanno caiu de 27% para 20% desde a última pesquisa (8 de outubro), antes da propaganda de rádio e TV. E sua rejeição cresceu impressionantes 17 pontos percentuais em um mês. Foi de 29% para 38% desde a pesquisa anterior, mas era de apenas 21% na penúltima.

Em 25 de setembro, o mesmo instituto de pesquisa apontava que 64% dos eleitores da capital paulista não votariam em um candidato apoiado por Bolsonaro em hipótese nenhuma. Apenas 11% (um em cada dez eleitores) votariam no indicado pelo presidente.

“Com certeza, a divulgação do apoio de Bolsonaro tem um peso no crescimento da rejeição de Russomanno”, disse Alessandro Janoni, diretor de Pesquisas do Datafolha, em entrevista ao canal de TV por assinatura Globo News, após a divulgação do levantamento desta quinta. Segundo ele, o presidente é reprovado na capital paulista “principalmente em razão do seu desempenho no combate à pandemia e não necessariamente é um cabo eleitoral com muita fluência”.

Em São Paulo, de acordo com o Datafolha do fim do mês passado, o governo Bolsonaro era avaliado por 46% dos paulistanos como ruim ou péssimo, enquanto 23% o consideravam regular e 29%, ótimo ou bom.

“Tradição”

Antes mesmo de a campanha começar, o professor Oswaldo Amaral, por exemplo, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), antevia um novo cenário de derretimento de Russomanno, candidato também em 2012 e 2016, inclusive pela forma como o “combate” à pandemia de coronavírus foi conduzido por Bolsonaro.

Na ocasião, o analista da Unicamp apontava que a “tradição” das candidaturas do postulante do Republicanos era minguar e que ele tendia a “desidratar bastante”. A intenção de voto antes da campanha captava o chamado “recall”, a lembrança que o eleitorado tem do candidato.

Segundo a mesma pesquisa Datafolha que apontava a rejeição de candidatos apoiados por Bolsonaro, 59% dos paulistanos afirmavam que não votariam de jeito nenhum em um nome apoiado pelo governador João Doria (PSDB). O candidato do PSDB à prefeitura, Bruno Covas, não está “herdando” esse desapreço dos paulistanos pelo governador porque tem tentado se “descolar” da sua imagem. E o apoio de Doria a Covas, por estratégia partidária ou não, não tem sido muito entusiasmado.


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