Perseguição

Lula: ‘Até quando o Judiciário será conivente com a podridão da Lava Jato?’

Ex-presidente afirma que a sociedade está, aos poucos, descobrindo a verdade sobre a operação. “Essa gente ainda vai ser condenada por crime de lesa-pátria”, afirmou

Reprodução/DCM
Lula afirmou que é "questão de honra" buscar punição para as partes podres do Judiciário e do Ministério Público

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (15) que tem “força, caráter e dignidade suficientes” para enfrentar a “podridão” que tomou conta da Lava Jato. Segundo ele, os métodos de perseguição adotados pelos integrantes da força-tarefa enfraquecem a democracia, desmoralizam o próprio Ministério Público Federal (MPF) e ameaçam, até mesmo, o Poder Judiciário.

“Até quando o Judiciário vai ser conivente com essa podridão?”, questionou Lula, em entrevista ao Diário do Centro do Mundo, um dia após nova denúncia “requentada” apresentada pela Lava Jato contra ele.

O ex-presidente afirmou que o procurador Deltan Dallagnol criou uma “quadrilha” formada por “fedelhos”, “irresponsáveis” e “messiânicos”. Da mesma forma, o seu substituto, o procurador Alessandro José Fernandes de Oliveira, segue pelo mesmo caminho.

“A única coisa que vou fazer é, outra vez, provar que eles são mentirosos. E que não têm dignidade de exercer a função de representantes do Ministério Público”, afirmou.

Da mesma forma, ele destacou que o mesmo expediente adotado para persegui-lo está sendo aplicado, atualmente, contra o seu advogado, Cristiano Zanin. Lula disse que o ex-presidente da Fecomércio, Orlando Diniz, foi pressionado pelos procuradores da Lava Jato do Rio de Janeiro para delatar o advogado.

“Vamos provar que eles estão mentindo mais uma vez. Vamos provar, aqui dentro e lá fora. Até que o Ministério Público tome consciência de que não pode permitir que irresponsáveis messiânicos participem de forças-tarefas e criminalizem as pessoas antes de detectar o crime.”

“Lesa-pátria”

Além disso, Lula afirmou que a Lava Jato também teve como um dos seus objetivos acabar com a soberania do pais, destruindo os setores de engenharia pesada, naval e de petróleo e gás brasileiros. “Essa gente ainda vai ser condenada por crime de lesa-pátria, por terem destruído a base industrial desse país. É apenas uma questão de tempo. A sociedade vai descobrindo aos poucos”, afirmou.

Presidente “Cacareco”

Lula também criticou o presidente Jair Bolsonaro pela inação diante do incêndios que consomem o Pantanal e a Floresta Amazônica. “Por que não estão lá nossos 50 mil, 60 mil soldados?”, questionou. Segundo o ex-presidente, o atual governo agiu para enfraquecer órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). Ele classificou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, como alguém “desprovido de caráter”.

De acordo com o ex-presidente, Bolsonaro também não atuou para evitar “o genocídio da pandemia de coronavírus”. Em vez disso, trabalhou para “naturalizar” as centenas de milhares de mortes.

“Jamais imaginei que a gente ia ver uma aberração. Já tinha visto a Cacareco ser eleita vereadora em São Paulo. Mas um cacareco ser eleito presidente da República, eu nunca tinha visto. Uma pessoa que tem na sua cabeça a simulação do ódio, da raiva e da mentira. O país não pode ser governado por gente assim.”

Cacareco foi uma rinoceronte fêmea que recebeu mais de 100 mil votos, como forma de brincadeira e protesto, nas eleições municipais de 1959.

Fascismo na mídia

Lula afirmou, ainda, que os veículos da mídia tradicional têm responsabilidade com os rumos do país. O apoio dado pela Rede Globo e pelos principais jornais de São Paulo à Lava Jato, contribuiu, então, para a “negação da política”. ” Esse fascismo não nasceu de graça”, afirmou. “O resultado é isso. Ter um homem que não gosta de pessoas, da democracia, que não gosta de negro, de índio, que não gosta do trabalhador e não gosta do Brasil.”

Assista à entrevista: