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Lula defende que ONU convoque o G20 para discutir saídas para a pandemia

“É inacreditável que algo extremamente grave como a saúde não tenha sido discutido em reunião multilateral”, disse o ex-presidente em reunião do Grupo de Puebla

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Lula: "Temos de exigir uma reunião. Trump e Bolsonaro não têm o direito de inventar remédio e de mandar as pessoas irem trabalhar sem garantir suas vidas

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende que a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial do Comércio (OMC), a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial se reúna com todos os países – ou pelo menos o G20 – para discutir soluções para crise causada pela covid-19.

Lula apresentou sua proposta na tarde de hoje (15), durante participação no 5º Encontro do Grupo de Puebla, cuja pauta incluiu o impacto da crise sanitária, econômica e social causada pela covid-19 na América Latina e, em especial, o processo de paz da Colômbia. Para o ex-presidente, o Grupo deve aprovar um documento e enviá-lo à secretaria-geral da ONU, pedindo providências no sentido dessa reunião.

“É inacreditável que um tema extremamente grave, como a saúde, ainda não tenha sido discutido em reunião multilateral. Mais de 303 mil pessoas já morreram e o campeão de mortes é o pais mais rico do mundo. Isso me faz pensar que (Barack) Obama tinha mesmo razão quando queria que o povo pobre de lá também tivesse acesso à saúde”, disse.

Para Lula, é primordial que os países se reúnam para discutir com as organizações quais são os papéis de cada um no combate ao coronavírus e suas consequências. E citou artigo científico segundo o qual os Estados Unidos gastaram US$ 6,4 trilhões de 2001 a 2016 com diversas guerras, que mataram 821 pessoas. Fora os US$ 548 bilhões no mesmo período somente para prevenção do terrorismo.

“Trump anuncia que vai deixar de contribuir com a OMS e fica por isso mesmo. Não há reunião, convocação, pressão por parte de outros países. Temos de exigir uma reunião. Trump não tem o direito de inventar remédio. Nem o Bolsonaro. Eles não têm o direito de mandar as pessoas irem trabalhar sem garantir suas vidas”.

O ex-presidente foi veemente na defesa de um estado democrático e ainda mais forte diante do capital, capaz de definir políticas públicas para garantia de igualdade de direitos. E lembrou que direitos trabalhistas e sindicais conquistados ao longo do século 20 vem sendo perdidos no século 21. “Temos de discutir o mundo que queremos depois da pandemia”.

O Grupo de Puebla é um fórum político e acadêmico que reúne lideranças políticas latinoamericanas, como ex-presidentes da República que impulsionaram a integração regional, a democracia, a soberania dos povos, a defesa do meio ambiente, a inclusão social e distribuição de renda.