'CRIMINOSO'

Trump congela repasse à OMS e recebe críticas pelo mundo

Líderes globais criticam falta de unidade para combater coronavírus. Editor da Science considera atitude “crime contra a humanidade”

Gage Skidmore
Estados Unidos é o país com mais casos do novo coronavírus no mundo. Oficialmente, o país já ultrapassou os 600 mil diagnosticados com covid-19 e totalizam 26 mil mortes

São Paulo – Após o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciar a suspensão do envio de verbas para a Organização Mundial da Saúde (OMS), nesta terça-feira (14), líderes mundiais e jornais de vários países criticaram a sua decisão.

Trump, que defende o relaxamento da quarentena, acusa a OMS de lidar de forma inadequada com a pandemia de coronavírus. A decisão é considerada uma retaliação do presidente às críticas feitas por especialistas sobre a atuação dos Estados Unidos no combate à covid-19.

Em resposta, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse que o momento não permite ações individualistas. “Agora é a hora da unidade e dos membros da comunidade internacional trabalharem juntos, em solidariedade, para impedir esse vírus e suas conseqüências devastadoras.”

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, disse que a decisão de Trump de cortar o financiamento em meio a uma pandemia não faz sentido. “O vírus não conhece fronteiras”, tuitou.

A medida para acabar com o financiamento priva a OMS de acessar cerca de 10% de seu orçamento durante a maior crise global de saúde deste século.

‘Criminoso’

O presidente dos Estados Unidos justifica que a OMS não teve os cuidados necessários para avaliar os riscos do coronavírus. Segundo ele, a organização não enviou médicos para “avaliar objetivamente a situação no local e denunciar a falta de transparência da China”, o que teria evitado a pandemia.

Por outro lado, a China se diz “profundamente preocupada” com o anúncio de Donald Trump, de acordo com o chefe do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian. “Esta decisão reduzirá a capacidade da OMS e prejudicará a cooperação internacional contra a epidemia”, disse à imprensa.

Richard Horton, diretor da revista médica Lancet, uma das mais prestigiadas no mundo, escreveu em sua conta no Twitter que a decisão de Trump é “um crime contra a humanidade”. “Todo cientista, todo sanitário, todo cidadão deve resistir e se rebelar contra essa traição à solidariedade global”, publicou.

A indignação também ecoou nos Estados Unidos. A ex-embaixadora dos EUA na ONU Samantha Power classificou a suspensão do financiamento como “obscena” e o fundador da Microsoft, Bill Gates, afirmou que a decisão é “tão perigosa quanto parece”.

Os Estados Unidos são o país com mais casos do novo coronavírus. Oficialmente, o país já ultrapassou 600 mil pessoas diagnosticadas com covid-19 e totaliza 26 mil mortes.

Repercussão

A decisão de Donald Trump também provocou reações em diversos jornais pelo mundo. O britânico The Guardian publicou um artigo, nesta quarta-feira (15), que classifica a ação como “um ato de vandalismo internacional”.

O texto lembra que a atitude é “sem precedentes” e destrói a imagem dos Estados Unidos. “O nacionalismo e a miopia do governo Trump são particularmente preocupantes à medida que o mundo avança para a próxima fase da epidemia de Covid-19”, escreveu.

O jornal The New York Times diz que o presidente dos EUA busca um “bode expiatório” para se eximir da culpa. “Milhares de americanos estariam vivos hoje se o Presidente Trump tivesse passado mais tempo ouvindo a Organização Mundial da Saúde em vez de tentar destruí-la”, publicou o jornal.


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