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Governo da violência

Gleisi: ‘Estão fazendo uma narrativa para justificar depois a repressão’

"Para implantar essas medidas que eles querem, é só com repressão mesmo porque o povo não vai aceitar", diz a presidenta nacional do PT
Publicado por Luciano Velleda, para a RBA
13:54
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POLÍCIA MILITAR DO DF/DIVULGAÇÃO

Em junho, governo Bolsonaro usou GLO para reprimir com balas de borracha e bombas de gás manifestação de índios em Brasília

São Paulo — Recém reeleita presidenta do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR) não tem dúvida de que o governo Bolsonaro se prepara para reprimir com violência a população brasileira que sair às ruas para se manifestar contra as medidas neoliberais que têm sido implementadas no país. Os sinais são muitos, como a proposta do excludente de ilicitude para policiais que atuarem em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e as frequentes referências ao Ato Institucional 5 (AI-5).

Gleisi acredita que a povo não aguentará as medidas econômicas que promovem retirada de direitos que estão sendo feitas, porém, avalia que está em curso a construção de uma narrativa de que possíveis manifestações serão responsabilidade do PT e da esquerda brasileira.

“A reação não é por que o PT ‘incendeia’ ou incentiva, como querem alguns, é por causa da realidade do povo brasileiro que perde seus direitos, está desempregado, perde renda, a volta da fome no Brasil. É um conjunto de medidas que vai levar o povo a protestar, não tem jeito”, aponta a deputada, em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, na Rádio Brasil Atual. “Estão fazendo essa narrativa pra justificar depois a repressão. Para implantar essas medidas que eles querem, é só com repressão mesmo, porque o povo não vai aceitar. Então estão se antecipando para justificar o que vão fazer.”

Eleições

Sobre as eleições municipais de 2020, Gleisi Hoffmann afirma que a decisão tomada pelo PT em seu último congresso nacional é de que o partido deve ter candidato próprio na maioria dos municípios em que isso for possível. Segundo a deputada federal, o pleito permitirá com que o partido faça a sua defesa, apresente seu legado e um projeto de país. “Para nós, que fomos vítimas de todo esse processo de perseguição, disputar a eleição é importante nesse sentido. Achamos que essas eleições terão um componente nacional muito forte.” Por outro lado, a deputada confirmou que há conversas de aliança com outros partidos do campo progressista e citou como exemplo as pré-candidaturas de Manuel D’Ávila (PCdoB), em Porto Alegre, e Marcelo Freixo (Psol), no Rio de Janeiro.

Gleisi afirma que uma das diretrizes do partido para os próximos anos é fazer uma “oposição sistemática e contundente” contra o governo de Bolsonaro e as políticas de “desestruturação” do Estado brasileiro nas áreas econômica e social. “Tudo isso é um desserviço para o país, e é contra isso que a gente tem que se colocar de forma muito firme”, destacou.

A parlamentar pondera sobre a importância de dialogar com a parcela da população que está desacreditada da política. “O Bolsonaro é resultado da antipolítica.” Em sua avaliação, a direita agiu para desacreditar a política como forma de atingir o PT, e a extrema direita, representada por Bolsonaro, se aproveitou da situação. “Recuperar isso faz parte de um processo de conversa com a população”, diz ela, enfatizando que a população já começou a perceber que houve um golpe para tirar o PT do governo e tem sofrido com o desemprego e a falta de renda. “Acho que a conjuntura começa a mudar e as pessoas começam a nos ouvir novamente. “O povo já nos conhece, já governamos e o povo já viveu melhor. Temos que reforçar isso para a população brasileira.”

Acompanhe a entrevista completa