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"inconcebível"

Ministros do Supremo manifestam indignação com Dallagnol e cobram Conselho do Ministério Público

Gilmar pede providências de órgãos de "supervisão e correição" – PGR e Conselho Nacional do Ministério Público – por abusos de Dallagnol
Publicado por Gabriel Valery, da RBA
17:49
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arquivo/ebc

Ministros Marco Aurélio e Gilmar Mendes, do STF, manifestaram indignação com promiscuidade da Lava Jato

São Paulo – Os ministros Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestaram indignação após novas revelações da Vaza Jato. Desta vez o escândalo, que revela a promiscuidade do Judiciário com o Ministério Público no âmbito da Operação Lava Jato, mostrou o procurador Deltan Dallagnol articulando para tentar conectar o presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, a casos de corrupção.

“É inconcebível” o MP investigar ministros do Supremo, declarou Marco Aurélio. Gilmar, por sua vez, declarou, como apurou a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que “o Brasil está diante da maior crise que se abateu sobre o aparato judicial desde a redemocratização”.

As mais recentes revelações da Vaza Jato saíram hoje (1º) no The Intercept Brasil, em parceria com a Folha. Conversas entre Dallagnol e colegas da força-tarefa em Brasília e Curitiba mostram o procurador orientando seus pares a vasculhar as contas de Toffoli com finalidade te tentar encontrar algum ilícito, já que ele, supostamente, seria um “adversário” da operação.

“Caros, a OAS trouxe a questão do apto do Toffoli?”, perguntou o procurador, num grupo privado no Telegram. “Que eu saiba não”, respondeu o promotor Sérgio Bruno Cabral Fernandes, de Brasília. “Temos que ver como abordar esse assunto. Com cautela.”

Para Gilmar, “as revelações da Folha explicitam os abusos perpetrados pela denominada força-tarefa. E reclamam as providências cabíveis por parte de órgãos de supervisão e correição (…) Como eu já havia apontado antes, não se trata apenas de um grupo de investigação, mas de um projeto de poder que também pensava na obtenção de vantagens pessoais”.

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) é o órgão encarregado de controlar e fiscalizar a atuação dos órgãos integrantes do Ministério Público nacional e de seus membros. Integrantes do CNMP já pediram que a conduta de Deltan Dallagnol seja investigada. E a Procuradoria Geral da República, comandada por Raquel Dodge, também tem o autoridade sobre casos de má conduta conduta dos membros do Ministério Público. Até o momento, Raquel Dodge tem preferido chamar os conteúdos revelados pelo Intercept de “supostas conversas”, duvidar da legitimidade das revelações e ignorar a gravidade dos fatos envolvendo os procuradores da força-tarefa da Lava Jato.


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