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Laranja fantasma

Gabinete de Bolsonaro não registrou faltas de filha de Queiroz que era personal no Rio

Nathalia Queiroz teria trabalhado 40 horas semanais como assessora de então deputado e ainda encontrado tempo para oferecer treinamento físico a celebridades, acumulando funções
Publicado por Redação RBA
12:41
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Reprodução/Facebook/Instagram
Família Queiroz

Família Queiroz deve explicações ao MP-RJ sobre transações suspeitas identificadas pelo Coaf

São Paulo – Nathalia Queiroz, ex-secretária parlamentar do então deputado federal e agora presidente Jair Bolsonaro (PSL), teve 100% da sua frequência atestada, segundo a Câmara dos Deputados, apesar de também trabalhar como personal trainer de celebridades no Rio de Janeiro. Segundo reportagem da CBN divulgada nesta segunda-feira (14), o gabinete de Bolsonaro não registrou nenhuma falta injustificada, nem licença, de Nathalia, em quase dois anos.

A personal é filha do motorista Fabrício Queiroz, que trabalhou como assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, filho do presidente. Antes de assessorar o agora presidente, Nathália também trabalhou no gabinete de Flávio, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Ambos aparecem em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como tendo realizado transações financeiras consideradas suspeitas.

Antes de ser conhecida como filha de Queiroz, Nathália atuava como personal trainer, no Rio de Janeiro, em horário comercial. No seu perfil do Instragram, postava fotos e vídeos com alunos, inclusive atores e atrizes famosos, em praias e academias. Os registros foram apagados. Como secretária parlamentar, ela deveria cumprir jornada de 40 horas semanais.

“É surpreendente que conste que ela ficou dois anos sem falta nenhuma quando é público e notório que ela é personal trainer no Rio de Janeiro. O Bolsonaro como deputado confirmou uma mentira”, questiona o deputado federal Ivan Valente (Psol-SP), em entrevista ao repórter Rodrigo Serpa.   

O pai de Nathália, que deve explicações ao Ministério Público, mas alega estar se tratando de um câncer no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, teria movimentado R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, quando trabalhava com Flávio Bolsonaro, incluindo um depósito de R$ 24 mil destinado à primeira-dama Michelle Bolsonaro. Foi Nathalia que filmou o vídeo em que Queiroz aparece dançando, junto com sua mulher, no leito do hospital, que viralizou no final de semana.

A movimentação atípica incluía uma série de saques de médio valor (em torno de R$ 5 mil) que eram antecedidos de depósitos na conta de Queiroz com valores equivalentes. Nove assessores do gabinete do filho de Bolsonaro realizaram transações em nome de Queiroz, que coincidiam com os dias de pagamento da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

A suspeita é de que o motorista de Flávio Bolsonaro seria uma espécie de “laranja”, responsável pelo recolhimento de parte dos salários desses assessores, que depois eram encaminhados à família do atual deputado e senador eleito. 

Nathália trabalhou no gabinete de Bolsonaro entre dezembro de 2016 e outubro do ano passado, com salário de cerca de R$ 10 mil. Coincidentemente, ela foi exonerada, em Brasília, no mesmo dia que o pai era dispensado pelo filho do presidente, no Rio de Janeiro. O Coaf também registrou transações de R$ 84 mil entre Nathália e o pai

A mulher de Queiroz, Márcia Aguiar, e sua outra filha, Evelyn de Melo Queiroz, que igualmente trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro, também faltaram a depoimentos que deveriam prestar ao Ministério Público, sob a alegação de que se mudaram temporariamente para São Paulo para acompanhar o tratamento do pai.