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‘Tememos pela vida de Lula, e a de muitos outros’, diz Gleisi

Após a vitória da extrema-direita, com Jair Bolsonaro (PSL), a executiva do PT afirmou que deve articular uma rede de proteção contra ameaças à democracia e violações de direitos civis
Publicado por Redação RBA
17:26
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Gleisi: ‘Vamos resistir pela integridade física das pessoas’

São Paulo – A presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), disse temer pela vida do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba, e mostrou preocupação com a democracia e a vida de pessoas em grupos vulneráveis. “Você não está só, vamos criar uma rede de proteção”, disse ela, em entrevista após reunião da executiva da legenda.

O último discurso de Bolsonaro após eleito não tem a ver com Estado democrático de direito. Ele disse que Lula vai apodrecer na cadeia. Tememos pela vida dele. Ele tem direito a um julgamento justo. Ninguém pode definir o que vai acontecer com ele antes de um julgamento justo. Lula livre, com um pedido de proteção maior a sua vida e integridade”, ressaltou a senadora.

A reunião discutiu também a relação do governo Temer com o político da extrema-direita Jair Bolsonaro (PSL), presidente eleito e interessado em que o atual governo siga fazendo o “serviço sujo” de tocar reforma rejeitadas pela sociedade, como a da previdência.  

“Existe uma série de projetos que serão tocados pelo novo presidente junto com a base de Temer. Vamos reunir nossas bancadas de oposição e organizar a resistência”, disse Gleisi. O deputado Paulo Pimenta (RS), líder da bancada, completou: “Estamos enfrentando um consórcio de Bolsonaro e Temer. A partir de hoje, eles vão tentar aprovar uma pauta conjunta até o final do ano”.

Onda de ataques

Além de pensar em instrumentos para resistir a eventuais ataques de Bolsonaro contra a democracia, ele que defende abertamente a tortura e o regime ditatorial civil-militar (1964-1985), os petistas ressaltaram a importância de começar a resistir hoje no Congresso. Isso, porque a agenda econômica do extremista é muito similar à do presidente Michel Temer (MDB).

Para Pimenta, que teve seu mandato renovado, as pautas conjuntas entre os políticos devem mirar três eixos. “O primeiro é a redução da democracia, criminalizando movimentos sociais, diminuindo autonomia das universidades. O segundo é diminuir direitos dos trabalhadores, em especial com a reforma da Previdência. O terceiro é atacar a soberania nacional vendendo a Amazônia, entregando base de Alcântara e o pré-sal”, finalizou.

Defesa da democracia

Gleisi reafirmou que uma das maiores preocupações é com ataques contra a democracia e contra a vida dos brasileiros. “Nos preocupa muito a aceleração para aprovar mudanças na lei antiterrorismo. Isso é uma tragédia nas liberdades dos movimentos sociais. Querem criminalizar os movimentos. Vai ser a tônica deste governo, o que nos preocupa muito. Já estão se movimentando nas comissões do Senado. Vamos nos colocar contrários e esperamos que seja um movimento de todos que defendem a democracia.”

Vamos resistir pela integridade física das pessoas. O PT vai organizar, e esperamos ampliar, uma rede democrática de proteção solidária. Você não está só. Vamos organizar todos os advogados do partido, juízes pela democracia, advogados dos direitos humanos, para denunciarmos casos de violações dos direitos civis, das liberdades de expressão”, completou.

A senadora falou ainda sobre a criação de uma rede internacional de vigília no país. “Queremos um observatório para que o direito das populações ameaçadas. Queremos que o mundo olhe para os indígenas, LGBTs, movimentos sociais, para podermos recorrer internacionalmente. Pelos jornalistas, por tudo que construímos pós Constituição de 1988.”