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Movimentos sociais defendem organização para resistir ao governo Bolsonaro

Para Raimundo Bonfim, coordenador da Central dos Movimentos Populares, futuro presidente tentará criminalizar a luta por direitos como à terra e à moradia

Roberto Parizotti/Secom CUT
Raimundo Bonfim

“Democracia sem sociedade civil organizada, sem movimentos sociais, não é democracia”, afirma Raimundo Bonfim

São Paulo – No dia seguinte à eleição de Jair Bolsonaro (PSL), como presidente da República,  o coordenador da Central dos Movimentos Populares (CMP) e da Frente Brasil Popular, Raimundo Bonfim, disse que já é o momento de os movimentos sociais pensarem em como se preparar para os desafios que serão impostos pelo futuro governo de extrema-direita.

“Temos que continuar fortes e nos organizarmos ainda mais para enfrentar uma situação difícil. O ataque aos direitos e à soberania do país será muito mais aprofundado do que está sendo feito pelo governo Temer, o que já não é pouca coisa”, afirmou Bonfim, em entrevista na manhã desta segunda-feira (29) à jornalista Marilu Cabañas, na Rede Brasil Atual.

Para ele, a vitória de Bolsonaro é ainda consequência da desestabilização em curso no país desde 2015, quando forças políticas conservadoras não aceitaram o resultado das eleições de 2014, iniciando ali o movimento que levou ao impeachment de Dilma Rousseff e à prisão, sem provas e inconstitucional, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Bonfim disse acreditar na criação de uma frente democrática que inclua partidos políticos e movimentos sociais para resistir à conjuntura adversa que virá contra o campo da esquerda. E destacou a ameaça de Bolsonaro de “dar um jeito no ativismo social”. Para o ativista, o futuro presidente demonstra disposição de criminalizar e anular os movimentos sociais do país.

“Ele cita o MTST e o MST porque são referências, mas ele se refere ao conjunto dos movimentos sociais como inimigos da democracia. Nós vemos o contrário: democracia sem sociedade civil organizada, sem movimentos sociais, não é democracia.”

Para o coordenador da Frente Brasil Popular, a esquerda e os movimentos sociais precisam agora “se enfiar na periferia”, ação iniciada já na reta final da campanha de Fernando Haddad (PT).

“Fomos lá para os fundões dialogar com a população. Nós temos que fazer isso independente de eleição, temos que fazer isso pra organizar os trabalhadores e a população em associações, grupos culturais, de mulheres, de juventude. Os coletivos populares são muito importantes e precisam se conectar uns com os outros.”

Ouça a entrevista na íntegra: